DEVEMOS DORMIR MAIS PARA NÃO FICARMOS OBESOS? (PARA ALÉM DE MENOR INGESTÃO DE CALORIAS E MAIS ACTIVIDADE FÍSICA) por clara castilho

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Entre 22 a 24 deste mês, realizou-se no Porto o 17º Congresso Português de Obesidade com o tema “Da Patogénese à Prevenção da Obesidade”, organizado pela Sociedade Portuguesa para o Estudo da Obesidade.

O que preocupa estes técnicos? É o facto de 50% da população se encontrar na pré-obesidade e 14% na obesidade –  quase metade da população portuguesa.

O Programa Nacional para a Promoção da Alimentação Saudável que efectuou um Estudo do Padrão Alimentar e de Crescimento na Infância, abrangendo todo o país, com uma amostra representativa a nível nacional. A Direcção-Geral da Saúde apresentou o relatório Alimentação Saudável em Números, com dados de outro estudo sobre os hábitos alimentares em adolescentes entre os 6.º e o 10.º ano de escolaridade.

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Quanto às crianças mais novas até aos 36 meses, verificou-se quanto aos seus hábitos:

– quase 20% das crianças com um ano e meio da região Norte de Portugal consomem diariamente refrigerantes.

– 10% comem sobremesas doces também numa base diária.
– o consumo de sobremesas e doces nos meninos de 18 meses é semanal para 41% das famílias do Norte e diário para 10%.

– os refrigerantes sem gás, 18,5% crianças com um ano e meio bebem-nos diariamente, enquanto para 27,4% o consumo é semanal. Assim, só 12% das crianças com 18 meses nunca consumiram estas bebidas.

Isto é o que se encontra do lado dos maus hábitos. Mas do lado dos bons hábitos , foi bom contactar que:

– há consumo generalizado de sopa e fruta diário a partir dos seis meses de idade, abrangendo mais de 90% das crianças a partir dos seis meses.

Quanto aos adolescentes, verificou-se que:

– à medida em que vão ficando mais independentes, sobretudo no que se refere às refeições feitas na escola,  há uma redução de práticas alimentares mais adequadas.

– no que se refere ao pequeno-almoço, no 6.ºano eram 3,7% os jovens que nunca o tomavam, número que no 10.º ano sobe para os quase nove por cento. No que se refere a este assunto, uma investigação do Instituto de Educação da Universidade do Minho também concluiu que os  alunos que não tomam o pequeno-almoço em casa são obesos.

E qual as zonas do país que são mais preocupantes? São as regiões autónomas no que se refere à obesidade no 1.º ciclo, com valores de 22% nos Açores e de 16% na Madeira. Já o Algarve será o “mais saudável” com apenas 8,7% de obesidade e 10,7% de excesso de peso.

E o que se encontra quanto aos adultos? São cerca de um milhão de adultos em Portugal que se consideram obesos.

No que se refere a camadas sociais, são precisamente os grupos socialmente mais vulneráveis que devem ser objecto de campanhas de educação, pois são os que apresentam menores níveis de literacia. Por outro lado, devido a dificuldades económicas recorrem a alimentos mais baratos, que acabam por ser os que contêm um maior número de calorias.

Voltando ao Congresso realizado, ele visou “aumentar a perceção da comunidade sobre aos problemas ligados ao excesso de peso”, assim como promover o conhecimento científico dos associados e dos investigadores desta área.

E como se previnem estas situações? Começando pelas crianças, ensinando o que devem comer, a terem actividade física e não ficarem só em casa.

Por outro lado, outros estudos indicam que se pode combater o excesso de peso analisando está no sono. O médico Neil Stanley especialista em sono afirma que quantas menos horas a pessoa dorme mais tendência tem para comer… e mal. Dormir mal implica alterações a nível hormonal que causam uma queda nos níveis de leptina responsável por regular o consumo de alimentos e sinalizar quando já comemos o suficiente e aumentando o nível de grelina, que estimula o apetite e produção de gordura.

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