A ESTUPIDEZ É UM CÃO FIEL – 42 – por Sérgio Madeira

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Capítulo quarenta e dois

Francisco Costa dirigiu-se à sala «da televisão» onde  a D. Amália, dona da pensão, lhe dissera estar um senhor à sua espera. Quando entrou, o jovem do panamá e óculos escuros que lia o jornal na esplanada do Nicola e que parecendo estar a observá-los, alarmara Maria,  ergueu-se do sofá. Francisco a quem a figura pareceu vagamente familiar disse:

– O que deseja?

Sorrindo, o rapaz tirou os óculos:

– O nosso furriel não me conhece? – estendeu a mão

– Meu alferes, de facto não o conheci – por um mecanismo subconsciente, pusera-se em sentido. O jovem ficara de mão estendida e Francisco só então reparou e apertou-lha.   Sentaram-se – Em que posso ser útil?

– Pode ser útil em muita coisa.

-Como?

Calmamente o alferes Guilherme de Sousa expôs-lhe a questão. Precisavam (não disse quem) de retirar um homem do  hospital e de o esconder. Havia já um local para o abrigar, mas era preciso alguém que o levasse do hospital para esse sítio.

– E lembraram-se de mim – Porquê?

– Em Xuvalu   salvou a vida a uma pessoa muito importante para um outro Francisco…

– Outro Francisco ?

– Sim, salvou a filha de Francisco Kachawa!

– Maria?

– Sim, Maria.

– Mas ela não o conhece. Viu-o no Nicola e teve medo.

– Maria não faz parte da organização.

– E sabem se podem confiar em mim?

– Arriscámos…

– Posso ter poupado Maria, por qualquer escrúpulo, e…

– Denunciar-nos?

– Isso.

Norberto de Sousa riu-se. E a máscara de timidez e bondade foi submersa por uma expressão de uma dureza implacável que provocou um arrepio em Francisco.

– As pessoas que denunciam têm uma estranha tendência para aparecer mortas.

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