DE QUE MODO A CRISE INFLUENCIA A SAÚDE? por clara castilho

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Poderemos falar da saúde física e da saúde mental. Interligadas e quase impossíveis de estudar em separado. Falemos hoje da segunda, a saúde mental. No outro dia, um pedopsiquiatra, Augusto Carreira contava (Fórum dos Direitos da Criança) que lhe chegam crianças à consulta a dizerem “estou morto que acabe a crise, para voltar a ver os meus pais sorrirem”. Estas crianças, para além de muitos outros direitos que lhes  estão a ser roubado, não tê o de ter pais com saúde mental e tempo para lhes dedicarem a atenção de que necessitam para terem um desenvolvimento equilibrado, tornando-se, assim, outros potenciais doentes.

Voltemos ao Relatório da Primavera do  Observatório Português dos Sistemas de Saúde (OPSS) de que já aqui falei-  “Duas faces da saúde” (http://www.observaport.org/sites/observaport.org/files/RelatorioPrimavera2013.pdf).

mario botasCruzeiro Seixas

Afirmam que, resultante da actual crise económica, surge “ o aparecimento de doenças mentais, como a depressão, que, de acordo com alguns estudos, poderão ter uma forte associação com o suicídio, o consumo de álcool e de outras substâncias psicotrópicas ilícitas. […]Estas últimas representam, em Portugal, uma preocupação em termos de saúde pública, dado que de acordo com os dados disponíveis ocupávamos o oitavo lugar mundial em termos de consumo de álcool (2003) e a prevalência do consumo tem vindo a aumentar .Em relação ao consumo de drogas registou-se um aumento em 2010 e 2011.

Além disso, também é sugerido por alguns autores que o desemprego poderá potenciar o desenvolvimento de perturbações mentais. Num contexto em que Portugal já se assume como um dos países da Europa com a maior prevalência de doenças mentais na população, nomeadamente as perturbações de ansiedade e depressivas (16,5% e 7,9%, respetivamente), este facto, por si só, ilustra de forma inequívoca a relevância que as políticas de saúde mental têm de assumir no contexto das políticas gerais de saúde.

Um outro fator que poderá ser influenciado pelo desemprego é a violência intencional e, de acordo com dados nacionais recentes, tem-se verificado um acréscimo deste tipo de comportamentos. Regista-se, ainda, um crescimento do número de pessoas em risco de pobreza e exclusão social, em particular as crianças e os idosos, que ultrapassavam, em 2011, a média da União Europeia.

Apesar de alguma escassez de estudos, torna-se claro através da evidência disponível que a deterioração de vários indicadores macroeconómicos influencia negativamente muitos determinantes sociais com impacte direto no perfil de saúde populacional. Perante o atual cenário os governos não podem ignorar estas problemáticas, além de que a médio/longo  prazo acarretarão um elevado custo. Por outro lado, e de acordo com a tendência veiculada pela declaração Health in All Policies, não perspetivar as implicações da crise sobre a saúde e/ou não investir na saúde contribui para retardar o desenvolvimento do país”.

Fiquemos por aqui. Poderíamos abordar a taxa de suicídios de adolescentes internados em hospitais psiquiátricos junto a adultos, do aumento de diabetes, etc…

Como poderemos manter a nossa saúde mental? Uns engolem o que não lhes agrada, outros vão para a rua manifestar, outros denegam e fingem que não é nada, pondo cara de palhaço alegre… E nada disto é saúde mental. É que saúde não é apenas medicina e saúde mental não é igual a psiquiatria. A saúde mental é um estado de bem-estar emocional e psicológico, mediante o qual o indivíduo é capaz de fazer uso das suas habilidades emocionais e cognitivas, funções sociais e de responder às solicitações ordinárias da vida quotidiana. Onde anda a nossa saúde mental?….

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