POESIA AO AMANHECER – 331 – por Manuel Simões

 

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                JOÃO MAIMONA

                        ( 1955 )

            TRAÇO DE UNIÃO. XIV

I

Diz o que pensas do meu aroma.

Azul, verde, branco, estranho:

é o aroma d’árvore

que alumia o teu campo.

II

Sou mais uma árvore do campo

que cresce à tua volta. E penetra o teu coração.

Nele brilha o meu olhar.

Nos meus olhos que os teus olhos não querem atravessar

nos meus ouvidos que os teus ouvidos não querem cruzar

sinto as dores da distância

que vais criando na noite dos teus voos.

III

Queria tanto ver o sol da tua pele penetrar

os meus pés. Os meus braços. Os meus olhos.

Queria tanto ouvir a tua tempestade bater

à janela dos meus desejos. Dos meus sentimentos.

Queria. Queria ver o teu corpo sentado

nas minhas mãos. Ver a tua fronte na minha trajectória.

E abraçar os pontos de vista do teu sangue.

IV

Olha, quando passares pela boca da multidão

deita tua mão nos gritos d’ervas.

(de “Traço de União”)

Investigador, poeta e crítico literário angolano. Esteve exilado a partir de 1961, voltando a Angola em 1976. Colaborador de suplementos culturais e da revista “Novembro”. Obra poética: “Trajectória Obliterada” (1985), “Traço de União” (1987), “Les Roses Perdues de Cunene” (1985), “As Abelhas do Dia” (1988), “A Idade das Palavras” (1996).

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