Nos meus olhos que os teus olhos não querem atravessar
nos meus ouvidos que os teus ouvidos não querem cruzar
sinto as dores da distância
que vais criando na noite dos teus voos.
III
Queria tanto ver o sol da tua pele penetrar
os meus pés. Os meus braços. Os meus olhos.
Queria tanto ouvir a tua tempestade bater
à janela dos meus desejos. Dos meus sentimentos.
Queria. Queria ver o teu corpo sentado
nas minhas mãos. Ver a tua fronte na minha trajectória.
E abraçar os pontos de vista do teu sangue.
IV
Olha, quando passares pela boca da multidão
deita tua mão nos gritos d’ervas.
(de “Traço de União”)
Investigador, poeta e crítico literário angolano. Esteve exilado a partir de 1961, voltando a Angola em 1976. Colaborador de suplementos culturais e da revista “Novembro”. Obra poética: “Trajectória Obliterada” (1985), “Traço de União” (1987), “Les Roses Perdues de Cunene” (1985), “As Abelhas do Dia” (1988), “A Idade das Palavras” (1996).