CELEBRANDO LUCÍLIA DO CARMO – 8 – por Álvaro José Ferreira

Nota prévia:

Para ouvir os temas de Lucília do Carmo, há que aceder à página

http://nossaradio.blogspot.pt/2013/11/celebrando-lucilia-do-carmo.html

e clicar nos respectivos “play áudio/vídeo”.

Lucília do Carmo faleceu a 19 de Novembro de 1998. Oportunidade para o nosso blogue a homenagear apresentando uma mão-cheia dos mais belos espécimes do seu repertório.Imagem1

Desespero

Letra: João Linhares Barbosa

Música: Jaime Santos (Fado Alfacinha)

Intérprete: Lucília do Carmo* (in EP “Lucília do Carmo”
(“Naquela Azenha Velhinha”), Decca/VC, 1960; CD “Lucília do Carmo”, col. Biografias do Fado, EMI-VC, 1998)

[instrumental]

Amei-te com desespero,
Mais do que eu ninguém te quis;
Agora que te não quero
Vejo as figuras que fiz.

Vibrava o teu coração,
Logo o meu também vibrava;
A tua respiração
Era o ar que eu respirava.

Se me oferecessem um trono,
Um palácio ou um altar,
Votava a tudo abandono
Em troca dum teu olhar.

O vento/ódio quebrou os ramos,
Da nossa ilusão florida;
Quando nos habituamos
Sofre-se menos na vida.

Se me perguntam por ti,
Pois que nada padeço,
Respondo: “Não conheci,
Não conheci nem conheço.”

* Jaime Santos – guitarra portuguesa
Martinho d’Assunção – viola
Gravado no Teatro Taborda, Costa do Castelo (Lisboa), em Maio de 1960
Técnico de som – Hugo Ribeiro

Podemos Ser Amigos

Letra: João da Mata
Música: Miguel Ramos (Fado Alberto)
Intérprete: Lucília do Carmo* (in EP “Olhos Garotos”, Decca/VC, 1958; CD “Lucília do Carmo”, col. Biografias do Fado,
EMI-VC, 1998)

Agora que entre nós tudo acabou,
Depois de tantas zangas e castigos,
Agora que és livre e eu também estou
Podemos, afinal, ser bons amigos.

A vida insuportável que levámos,
As privações imensas que sofremos,
As discussões inúteis que travámos
Serviram só pelo muito que aprendemos.

Eu aprendi verdades que ignorava,
Tu leste o que a minh’alma continha:
Nem tu eras o homem que eu sonhava,
Nem eu era a mulher que te convinha.

Agora apenas somos bons amigos
Porque entre nós não pode haver mais nada:
Vale mais a amizade sem castigos
Do que o prazer da carne torturada.

E como tu és livre e eu sou também,
Podemos ser felizes e risonhos:
Já eu sou a mulher que te convém
E já tu és o homem dos meus sonhos.

* Francisco Carvalhinho – guitarra portuguesa
Martinho d’Assunção – viola
Gravado no Teatro Taborda, Costa do Castelo (Lisboa), em Junho de 1958
Técnico de som – Hugo Ribeiro

Maria Madalena

Letra: Augusto Gil (1.ª quadra) e Gabriel de Oliveira
Música: Popular (Fado Mouraria); arr. Lucília do Carmo
Intérprete: Lucília do Carmo* (in EP “Verdades Que a Noite
Encobre”, Decca, 1968; 2LP/CD “O Melhor de Lucília do Carmo”, EMI-VC, 1990; CD “Lucília do Carmo”, col. Biografias do Fado, EMI-VC,
1998; CD “O Melhor de Lucília do Carmo”, Valentim de Carvalho/Iplay, 2008)

[instrumental]

Quem por amor se perdeu

Não chore, não tenha pena!
Uma das santas do céu
Foi Maria Madalena!

Desse amor que nos encanta
Até Cristo padeceu
Para poder tornar santa
Quem por amor se perdeu.

Jesus só nos quis mostrar
Que o amor não se condena;
Por isso quem sabe amar
Não chore, não tenha pena!

A Virgem Nossa Senhora,
Quando o amor conheceu,
Fez da maior pecadora
Uma das santas do céu.

E de tanta que pecou,
Da maior à mais pequena,
Aquela que mais amou
Foi Maria Madalena!

* Francisco Carvalhinho e Ilídio dos Santos – guitarras portuguesas
Orlando Silva – viola
Liberto Conde – viola baixo
Gravado nos Estúdios Valentim de Carvalho, Paço d’Arcos, em Junho de 1968
Técnico de som – Hugo Ribeiro

Não Vou, Não Vou

Letra: Júlio de Sousa
Música: Mário Moniz Pereira
Intérprete: Lucília do Carmo* (in LP “Lucília do Carmo”, Trova, 1978, reed. Fatum/UPAV, 1992, Universal, 2003)

Eu tinha as chaves da vida e não abri

As portas onde morava a felicidade;

Eu tinha as chaves da vida e não vivi:

A minha vida foi toda uma saudade.

E tanta ilusão que tive e foi perdida,

E tanta esperança no amor foi destroçada;

Não sei porque me queixo desta vida

Se não quero outra vida para nada.

Se foi p’ra isto que nasci,

Se foi p’ra isto que hoje sou,

Se foi só isto que mereci,
Não vou, não vou;
Podem passar bocas pedindo,
Olhos em fogo, tudo acabou;
Pode passar o amor mais lindo,
Não vou, não vou.

Eu tinha as chaves da vida e fui roubada,
Mataram dentro de mim toda a poesia:
Deixaram só tristeza sem mais nada
E a fonte dos meus olhos que eu não queria.

Se foi p’ra isto que nasci,
Se foi p’ra isto que hoje sou,
Se foi só isto que mereci,

Não vou, não vou;

Podem passar bocas pedindo,

Olhos em fogo, tudo acabou;
Pode passar o amor mais lindo,

Não vou, não vou.

[instrumental]

Podem passar bocas pedindo,

Olhos em fogo, tudo acabou;

Pode passar o amor mais lindo,
Não vou, não vou.

António Chainho – 1.ª e 2.ª guitarras portuguesas
Martinho d’Assunção – viola
José Maria Nóbrega – viola baixo
Técnico de som – José Manuel Fortes
Mistura – Luís Alcobia

A Cor da Mágoa
Letra: Mário Martins
Música: Popular (Fado Corrido)
Intérprete: Lucília do Carmo* (in EP “A Cor da Mágoa”,
Decca/VC, 1968; 2LP/CD “O Melhor de Lucília do Carmo”, EMI-VC, 1990;
CD “Fado em Tom Maior”, EMI-VC, 1995)

[instrumental]

Por razões desconhecidas,
Vesti os meus sentimentos
De seda da cor das mágoas
E à moda dos desalentos.

Quis fazer do sonho a vida,
E como compensação
A vida fez do meu sonho
Uma enorme decepção.

O sonho é pena que voa
Ao sabor da viração:
Dá-lhe a chuva, cai molhado,
Agarra-se ao coração.

Sentir pecado maior
Que roubar o que é de alguém:
Sentir a ambição estranha
De querer mais do que se tem.

* Francisco Carvalhinho e Ilídio dos Santos – guitarras portuguesas
Orlando Silva – viola
Liberto Conde – viola baixo
Gravado nos Estúdios Valentim de Carvalho, Paço d’Arcos, em Junho de 1968
Técnico de som – Hugo Ribeiro

(Continua)

Leave a Reply