POESIA AO AMANHECER – 334 – por Manuel Simões

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                      JOSÉ CRAVEIRINHA

                                                            ( 1922 – 2003 )

            GRITO NEGRO

            Eu sou carvão!

            E tu arrancas-me brutalmente do chão

            E fazes-me tua mina

            Patrão!

            Eu sou carvão!

            E tu acendes-me, patrão

            Para te servir eternamente como força motriz

            mas eternamente não

            Patrão!

            Eu sou carvão!

            E tenho que arder, sim

            E queimar tudo com a força da minha combustão.

            Eu sou carvão!

            Tenho que arder na exploração

            Arder até às cinzas da maldição

            Arder vivo como alcatrão, meu Irmão

            Até não ser mais tua mina

            Patrão!

            Eu sou carvão!

            Tenho que arder

            E queimar tudo com o fogo da minha combustão.

            Sim!

            Eu serei o teu carvão

            Patrão!

            (de “Xigubo”)

O seu primeiro livro, “Xigubo”, foi publicado pela Casa dos Estudantes do Império (1964). Considerado o maior representante da poesia moçambicana. Prémio Camões 1991. Obra poética: “Xigubo” (1964, 2ª ed. 1980), “Cela 1” (1980), “Karingana ua Karingana” (1ª ed. 1974, 2ª ed. 1982), “Maria” (1988), “Babalaze das Hienas” (1992).

1 Comment

  1. Obrigada, Manuel Simões! Que manancial de poesia africana vocês têm aí, que beleza!
    E como dói ler essa poesia t]ao sofrida.
    abraço da
    Rachel Gutiérrez

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