A Mulher que Venceu Don Juan, de Teresa Martins Marques, lança o primeiro romance-folhetim português publicado no Facebook – por Inês Figueiras

Imagem1Há meses atrás, publicámos aqui uma série de artigos sobre a história do folhetim em Portugal. E anunciámos que íamos dar início à publicação diária, de segunda a sexta-feira, de um folhetim. E estamos a publicar A Estupidez é um Cão Fiel, romance-folhetim que Sérgio Madeira escreveu expressamente para A Viagem dos Argonautas  e que vai na meia centena de capítulos. Pois bem, não estamos sós na recuperação de uma técnica narrativa que faz parte da genealogia de séries e novelas da rádio e da televisão.

A Mulher que Venceu Don Juan, de Teresa Martins Marques, é o primeiro romance-folhetim português publicadoImagem1 no Facebook (2012-2013), agora editado em papel, numa nova versão, revista e aumentada. A obra é lançada amanhã, dia 7 de Dezembro, pelas 16:30 horas, na Livraria Ferin, em Lisboa. O livro será apresentado pelos escritores José Manuel Mendes, presidente da Associação Portuguesa de Escritores, e Julieta Monginho, procuradora da República. Inês Figueiras vai, numa breve nota, explicar o essencial sobre este romance-folhetim. 

A Mulher que Venceu Don Juan é um livro de ficção que toca nas feridas da vida real, integrando uma interessante investigação sobre o donjuanismo e a violência e destacando o importante papel de instituições como a Associação Portuguesa de Apoio à Vítima (APAV).

Inclui no entrecho ficcional três personagens de fundo donjuanesco, vencidas de diferentes formas: Amaro Fróis, cirurgião plástico, procura nas mulheres a vingança de um passado tenebroso; Manaças, serial lover, recalca uma pulsão proibida; Joana colecciona os namorados das amigas.

Travejada por diálogos vivos, ora dramáticos ora humorísticos, a acção decorre em múltiplos lugares, potenciando o efeito de real pela intrusão de figuras verídicas que interagem com as personagens ficcionais, como Eduardo Lourenço, Amadeu Ferreira, Ernesto Rodrigues ou Teresa Cadete.

Entretanto, Manuela, jovem doutoranda, prima de Doña Juana, prepara em Copenhaga, e defende com sucesso, uma tese sobre o Diário do Sedutor de Kierkegaard, duplicando, no plano teórico, os meandros do desejo, no plano da acção, e gerando uma atmosfera de suspense até ao último fio da intriga romanesca.

Teresa Martins Marques é doutorada em Literatura e Cultura Portuguesas, pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. Actualmente, investigadora no CLEPUL e, entre 1992-1995, no Instituto de Lexicologia e Lexicografia da Academia das Ciências de Lisboa.

Dirigiu a equipa de organização do espólio literário de David Mourão-Ferreira (Fundação Calouste Gulbenkian / Ministério da Educação, entre 1997-2004). Dirigiu e prefaciou a Edição das Obras Completas (13 volumes) de José Rodrigues Miguéis (1994-1996).

Entre as suas obras, destacam-se: Si On Parle du Silence de la Mer, O Eu em Régio: A Dicotomia de Logos e Eros (Prémio de Ensaio José Régio), O Imaginário de Lisboa na Ficção Narrativa de José Rodrigues Miguéis, Leituras Poliédricas e Clave de Sol – Chave de Sombra: Memória e Inquietude em David Mourão-Ferreira. Colaborou em três dezenas de volumes colectivos de ensaio.

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