Jogos Olímpicos de Sóchi: censura e corrupção – por Octopus

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Do dia 7 ao dia 23 de fevereiro de 2014, irão realizar-se os próximos Jogos Olímpicos de Inverno na cidade russa de Sóchi. Tudo nestes Jogos Olímpicos é delirante, desde a escolha do local com um clima sub-tropical até ao colossal investimento. Tudo isto envolto num banho de censura e corrupção.

Jogos de inverno numa estância…balnear!

Sóchi é uma estância balneária situada no mar do Norte e beneficia de um clima ameno durante todo o ano, sendo escolhida por milhares de pessoas para férias de praia.

A primeira questão que se coloca é, porque é que foi escolhido um local ao clima sub-tropical, para jogos de inverno, sendo que a neve nas montanhas próximas é inconstante, quando na Rússia, um país com 17 milhões de quilómetros quadrados não são os locais com neve que faltam.

Como as previsões de queda de neve são variáveis e portanto difíceis de prever, os organizadores fizeram um stock de 500 000 metros cúbicos de neve no local. Custo da operação: 6,3 milhões de euros. A escolha deste improvável local para realizar Jogos Olímpicos de Inverno tem várias razões. Primeiro, é o local preferido de Putin para passar férias, onde possui uma das suas vivendas. Segundo, em termos estratégico, esta localização serve para diminuir a influência dos Estados Unidos na Ásia Central e retomar o ascendente rússo na região. Em terceiro lugar, esta escolha reforça a posição de Moscovo perante os vários grupos independentistas no Cáucaso.

Simultâneamente, a escolha de Sóchi coloca um enorme problema de segurança, justamente por se situar numa região instável do ponto de vista geo-político. Aliás, o chefe islâmico do Cáucaso, Dokou Ouramov, já jurou tudo fazer contra a realização desses Jogos Olímpicos. Assim sendo, estes jogos podem ser uma montra mundial da potência russa, mas também correm o risco de se poderem tornar num problema para Putin se algum atentado vier a acontecer.

Censura dos media em nome da segurança.

A cidade de Sóchi já se encontram desde há vários meses debaixo de vigilância apertada e em nome da segurança é a própria liberdade de expressão que está em causa. Os jornalistas não são bem-vindos a Sóchi, que o diga um repórter da televisão norueguesa que foi detido 6 vezes no espaço de 72 horas, sob ordem do FSB, para interrogatório, tendo sido inclusivo acusado de consumo de droga e tendo necessitado da intervenção da embaixada da Noruega para sua libertação. Como “gerir” a imprensa num país que está no lugar 148 em termos de liberdade de imprensa (Repórteres sem Fronteiras) e onde 52 jornalistas foram mortos desde 1992 (Comité para a Protecção dos Jornalistas) ?

Durante o período dos JO de inverno, de 07 a 23 fevereiro 2014, e dos para-olímpicos, de 07 a 16 março 2014, foi pura e simplesmente decretada a proibição de qualquer manifestação perto de Sóchi. Os espectadores estão proibidos de colocar as suas fotografia e vídeos nas redes sociais ou no Youtube. Os flashes e os tripés estão proibidos a qualquer espectador perto das pistas ou dos pódios.

Para controlar as informações difundidas durante os Jogos Olímpicos, Moscovo dispõe de um sistema de analise semelhante ao programa PRISM americano baptizado SORM. Este poderá analisar qualquer chamada de telemóvel, e-mail, forum ou rede social, em função de palavras chave ou expressões sensíveis.

Um banho de corrupção.

O custo destes Jogos Olímpicos está actualmente bem acima do previsto (10 mil milhões de dólares), situando-se agora em mais de 50 mil milhões de dólares, quinze vezes mais do que os de Vancouver, nunca em JO de inverno como de verão foi gasta uma tal quantia. Calcula-se que destes 50 mil milhões de dólares, cerca de metade foram parar nos bolsos de homens de negócios amigos de Putin, fundos opacos de empresas controladas por Putin como GazProm ou Transstroi, ou desviados pelas numerosas máfias russas.

Uma grande parte dos 60 000 trabalhadores, muitos deles estrangeiros, vindos da Arménia, Uzbequistão ou Tajiquistão, ganham 1,5 euros à hora, quando não são expulsos pelas máfias que os recrutaram sem receber qualquer salário. As zonas destinadas à construção das infra-estruturas foram adqueridas à custa de expropriações forçadas, muitas vezes sem qualquer indemnização. Muitas das construções contribuiram para a devastação de ecossistemas protegidos nesta região do Cáucaso.

Três meses antes do início dos Jogos Olímpicos de Inverno, Sóchi já ganhou várias medalhas de ouro entre as quais a da censura e da corrupção.

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