GERINGONÇA – por Fernando Correia da Silva

Um Café na Internet

 

    Aproxima-se a geringonça metida a robot. Saúda:

             – Bom dia, Vô.

            – Vai mas é chamar avô ao camandro!

            – Camandro não consta na minha memória. Eu pedo explicação.

            – Eu pedo, sua besta? Eu peço, eu peço… Não podes falar melhor?

            – Eu podo.

            – Podas o quê? A rama dos teus cornos? Eu posso, eu sei, sua lata ferrugenta. Não fazes melhor do que isso?

            – Eu tomo atenção, eu fazerei melhor.

            – Valha-nos a Senhora da Agrela, não há santa como ela.

            – Agrela não consta na memória. Peço explicação.

            – Pedes explicação? Mas que tom imperativo… Não sabes pedir por favor?

            – Por favor, eu peço explicação.

            – Bravo! Não é fazerei, é farei.

            – Entrada satisfatória. Estou a recapitular os verbos irregulares. Não é fazerei, é farei.

            – Isso mesmo. E como é que de repente soubeste o que era certo?

            – Eu sube porque registo tudo.

            – Mas que grande calisto, é só bacoradas. Raios que te partam, não é sube é soube. Vai dar uma curva!

             Pôs-se em movimento. Percorreu um alongado ziguezague pelo quintal e outra vez se colocou à minha frente.

            – Eu já dei.

            – O quê?

            Uma curva. Vossa Excelência gostou?

     Falar, o emplastro até já fala, parece um papagaio. E pensar? Será que alguma vez ele vai dar uma para a caixa?

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