
Aproxima-se a geringonça metida a robot. Saúda:
– Bom dia, Vô.
– Vai mas é chamar avô ao camandro!
– Camandro não consta na minha memória. Eu pedo explicação.
– Eu pedo, sua besta? Eu peço, eu peço… Não podes falar melhor?
– Eu podo.
– Podas o quê? A rama dos teus cornos? Eu posso, eu sei, sua lata ferrugenta. Não fazes melhor do que isso?
– Eu tomo atenção, eu fazerei melhor.
– Valha-nos a Senhora da Agrela, não há santa como ela.
– Agrela não consta na memória. Peço explicação.
– Pedes explicação? Mas que tom imperativo… Não sabes pedir por favor?
– Por favor, eu peço explicação.
– Bravo! Não é fazerei, é farei.
– Entrada satisfatória. Estou a recapitular os verbos irregulares. Não é fazerei, é farei.
– Isso mesmo. E como é que de repente soubeste o que era certo?
– Eu sube porque registo tudo.
– Mas que grande calisto, é só bacoradas. Raios que te partam, não é sube é soube. Vai dar uma curva!
Pôs-se em movimento. Percorreu um alongado ziguezague pelo quintal e outra vez se colocou à minha frente.
– Eu já dei.
– O quê?
– Uma curva. Vossa Excelência gostou?
Falar, o emplastro até já fala, parece um papagaio. E pensar? Será que alguma vez ele vai dar uma para a caixa?

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