EDITORIAL – O CERCO A LISBOA

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Parece que o senhor Martin Schulz, presidente do Parlamento Europeu, e destacado elemento do SPD (Sozialdemokratische Partei Deutschlands), o partido social-democrata alemão, se quer candidatar a Presidente da Comissão Europeia, para suceder a Durão Barroso, cujo segundo mandato termina em 2014, não podendo voltar a recandidatar-se. Entretanto, na Alemanha, após as últimas eleições, formou-se uma coligação governamental entre o SPD e a CDU (Christlich-Demokratische Union), o partido democrata-cristão,  de Angela Merkel, este sempre apoiado pela CSU (Christlich-Sociale Union), o partido democrata-cristão da Baviera. Esta coligação parece ser fortíssima, tendo a CDU/CSU feito importantes concessões em política interna, como a introdução do salário mínimo e o abaixamento da idade de reforma.  Entretanto, está garantida a continuidade da política de Angela Merkel, e o SPD acaba de se pronunciar elogiosamente sobre o governo de Lisboa. Diz mesmo (citamos o semanário Sol de ontem): “… Se o Governo português chegar á conclusão que uma linha de crédito cautelar será necessária para se defender de potenciais ameaças no acesso ao mercado de capitais, o SPD está aberto a dar apoio de acordo com as regras acordadas pelo Mecanismo de Estabilidade Europeu”.

E Passos Coelho vai recandidatar-se à liderança do seu partido, o PSD, o partido social-democrata (então não é o que a sigla significa?). E vamos ter programa cautelar. Ele tem-se saído tão bem com a troika, porque não continuar, mesmo com nova versão? Porque não continuar com um programa cautelar? Os portugueses é que se têm ficado mal, não Passos/Portas e Cia. E parece que o programa cautelar não implica a presença regular cá na nossa terrinha dos funcionários da troika. Portanto, é só vantagens. Mantém-nos em protectorado, mas com ele à frente. A duquesa de Gusmão, esposa de D. João IV, dizia: “Antes rainha uma hora, do que duquesa toda a vida”. Pois Passos Coelho, mais modesto, não pensa assim. Prefere ser duque. O problema é que nós é que ficamos cada vez mais tramados, sob esta nobreza. E Passos Coelho esteve vai não vai para acabar com o salário mínimo (vão ver que ainda volta à carga), e a idade de reforma já vai em 66 anos. Aí descansem que ele não recua. Pelo menos por vontade dele.

A coligação governamental alemã  faz com que o peso da Alemanha na Europa e nas instituições europeias fique consideravelmente acrescido. Passos Coelho assim vê o futuro mais risonho. Com o apoio alemão, consegue dar um golpe nos seus adversários, do partido, no parlamento e no país em geral. A não ser que os portugueses se resolvam a tirá-lo do poiso. Não poderão limitar-se a votar com os pés, como têm feito, ao emigrarem para a Alemanha e outros destinos. Terão de usar outros processos.

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