Nota prévia:Para ouvir os poemas de Luís Pignatelli (cantados por Vitorino, José Afonso, Janita Salomé, Adriano Correia de Oliveira e Teresa Silva Carvalho), há que aceder à Página
http://nossaradio.blogspot.pt/2013/12/celebrando-luis-pignatelli.html
e clicar nos respectivos “play áudio/vídeo”.
Como se fosses de linho doce
Como se fosses de linho doce
Com que me cubro e adormeço
Ou pássaro que cantando fosse
Árvore de vento com que estremeço
Como se fosses na manhã silente
Cristal soprado na noite fria
Ou ar de neve luz transparente
Como o que o teu rosto inaugura o dia
* Júlio Pereira – violas
Direcção musical – João Gil, António Pinheiro da Silva e Janita Salomé
Produção – João Gil
Gravado nos Estúdios Valentim de Carvalho, Paço d’Arcos
Engenheiro de som – António Pinheiro da Silva
Técnico assistente – Paulo Jorge Ferreira
Masterizado nos Estúdios Tcha Tcha Tcha, Miraflores
O que ficou no ar parado
Poema: Luís Pignatelli (in “Obra Poética”, Lisboa: &etc, 1999 – pág. 86)
Música: Janita Salomé
Arranjo: José Peixoto
Intérprete: Janita Salomé* (in LP “Lavrar em Teu Peito”, EMI-VC, 1985, reed. EMI-VC, 2001)
O que ficou no ar parado
era um cristal partido
pela tua boca soprado
ou era um pássaro ferido
por uma seta lado a lado?
era uma rosa de frio
na solidão do teu vestido
do teu vestido rasgado
ou era um cavalo espantado
batendo os cascos de vidro
de encontro às grades do medo
o que ficou no ar parado?
* José Peixoto – violas
Paulo Curado – flautas
António Ferro – baixo eléctrico
Direcção musical – João Gil, António Pinheiro da Silva e Janita Salomé
Produção – João Gil
Gravado nos Estúdios Valentim de Carvalho, Paço d’Arcos
Engenheiro de som – António Pinheiro da Silva
Técnico assistente – Paulo Jorge Ferreira
Masterizado nos Estúdios Tcha Tcha Tcha, Miraflores
Os Amantes
Poema: Luís Pignatelli (in “Obra Poética”, Lisboa: &etc, 1999 – pág. 88)
Música: Janita Salomé
Arranjo: João Lucas, José Peixoto e José Mário Branco
Intérprete: Janita Salomé* (in LP “Olho de Fogo”, Schiu!/Transmédia, 1987)
Pela sombra desatado
pela luz desperto
está na cama teu corpo
assim exposto:
se a minha mão o toca
um veio de água aberto
irrompe da tua boca
e morre em meu rosto
Lentamente morre
à flor da carne desejada
para logo renascer
em fresco voo repetido
para logo repousar
ave ferida
na rama bem amada
de meu corpo apetecido
Um ao outro apetecendo
como neve derretida
na cintura
desta liana quebrada
onde a selva mais escura
de teu corpo
vai ardendo
em minha boca
como seda derramada
* João Lucas – piano e sintetizadores
José Peixoto – baixo e guitarra-solo
Irene Lima – violoncelo
Produção e direcção musical – José Mário Branco
Gravado e misturado no Angel Studio II, Lisboa, de 29 de Outubro a 11 de Novembro de 1987 Captação de som – José Manuel Fortes, Rui Novais e Jorge Barata, assistidos por Luís Flores
Misturas – Jorge Barata, José Mário Branco e José Peixoto
(Continua)
