A ANÁLISE AMERICANA DA ECONOMIA A NÍVEL MUNDIAL (EXCERTOS) (1) – UMA SÍNTESE por JÚLIO MARQUES MOTA

A Análise Americana da Economia a nível mundial ( Excertos) [1]

PARTE X

Análise individual das diversas economias

Europa

(CONTINUAÇÃO)

Suiça

Em Setembro de 2011, num ambiente de grandes e significativas preocupações nos mercados sobre os riscos de cauda na zona euro, o Banco Nacional Suíço (BNS) estabeleceu uma taxa de câmbio mínima para o euro (floor) de 1,20 francos suíços por unidade euro, mudando temporariamente o regime de taxa de câmbio de flutuante para um sistema sob gestão. Até 2012 o BNS interveio várias vezes para impedir que o Franco suíço se aprecie. No entanto, como as autoridades europeias implementaram medidas para restabelecer a estabilidade financeira, e as preocupações sobre os riscos de cauda diminuíram, diminuíram igualmente as pressões sobre o Franco suíço e as intervenções do BNS cessaram. Em Junho de 2013, o BNS reafirmou o seu compromisso em estabelecer uma taxa de câmbio sob gestão, salientando que estava preparado para comprar moeda estrangeira em quantidades ilimitadas e para tomar ainda outras medidas (não especificadas ) para manter o limite de 1,20 na taxa de câmbio.

A Suíça é uma pequena economia aberta, rodeada pela zona euro e tem sido desproporcionadamente afectada pelas tensões financeiras na Europa, resultando em movimentos desordenados da taxa de câmbio. As autoridades suíças enfrentaram um ambiente de política repleta de constrangimentos tanto quanto as forças externas à economia suíça empurravam a economia para a deflação e, potencialmente, para a recessão no Verão de 2011. O limite mínimo para o euro, 120 CHF, para a taxa de câmbio foi estabelecido depois de uma série de medidas políticas alternativas que não conseguiram alcançar os objectivos de política monetária do BNS.

Desde que estabeleceu o valor limite mínimo para o euro em termos de francos suiços, a sua taxa de câmbio, os activos de reserva do BNS aumentaram de cerca de US $166 mil milhões globalmente  e agora alcançaram um total de $478,2 mil milhões a partir de Setembro de 2013. Muita desta mudança é atribuível a compras de activos de reserva feitas pelo BNS enquanto uma porção menor é devido a alterações de valorização das reservas. Até Setembro deste ano, o BNS aumentou em US $10,3 mil milhões em termos globais em 2013 os seus activos de reserva. Dada a falta de intervenção cambial este ano, a mudança total é atribuível aos efeitos de avaliação. Enquanto a composição monetária das reservas flutua numa base mensal como resultado de intervenções e mudanças de avaliação, o BNS reequilibra o seu portfólio ao longo do tempo para manter o euro a  partilhar em cerca de 50 por cento das reservas enquanto o dólar americano participa na proporção entre 25 e 30 por cento do seu total de reservas.

Depois de permanecer perto do limite mínimo para o valor do euro expresso em CHF de 1,20 como a taxa de câmbio até ao final de 2012, o franco depreciou-se em 2013 contra o euro subindo em  1,4 por cento (para 1,22 CHF por euro ) até Setembro de 2013. Contra o dólar americano o franco suíço depreciou-se em 1,1% este ano (também em meados de Setembro ), e como taxa de câmbio efectiva real o franco depreciou-se 0,5 por cento (em meados de Agosto, com base em dados do BIS). Em 2012, o excedente da balança corrente foi de 13,4% do PIB, e o excedente comercial foi de 2,5 por cento.

Os grandes excedentes da balança corrente que são já uma tradição na economia da Suíça devem ser interpretados com cautela. O FMI observa que: (a) as actividades comerciais das grandes empresas multinacionais sobre matérias primas poderiam adicionar até mais de 4% do PIB ao excedente, mesmo que algumas delas tenham apenas operações limitadas na Suíça; (b) as multinacionais suíças parcialmente detidas por estrangeiros fazem subir artificialmente o excedente e estima-se que adicionem cerca de 2% do PIB para o excedente em 2011; e entregas e (c) as compras transfronteiriça directas de as suas entregas não podem ser reflectidas nas estatísticas de importação e exageram o saldo da balança corrente e em montantes não-triviais. Finalmente, o papel da Suíça como um centro bancário internacional gera rendimentos por comissões e outras taxas assim como rendimentos de investimento que contribuem para o excedente da balança corrente global, mas não podem ser atribuídos aos cidadãos suíços.

No Pilot External Sector Report do FMI de 2013 a posição externa da Suíça é considerada como sendo mais forte do que o nível consistente com fundamentos de médio prazo e com a configuração desejável da economia. A taxa de câmbio efectiva real é considerada estar  moderadamente sobre-avaliada e isto por causa da entrada de capitais à procura de porto seguro, mas a sobre-avaliação está a desgastar ao longo do tempo as diferenças de taxas de inflação negativas com os seus parceiros comerciais.

O crescimento económico na Suíça está a reviver lentamente  e as pressões deflacionárias parecem estar a diminuir. A taxa de crescimento económico no ano aumentou constantemente de 0,5 por cento no segundo trimestre de 2012 para 2.1 no segundo trimestre de 2013.

Isso confronta-se ao `crescimento anual praticamente nulo na União Europeia no segundo trimestre deste ano. O crescimento económico na Suíça no ano passado (a partir do segundo trimestre de 2012 até ao segundo trimestre de 2013) tem sido amplamente baseado sobre a contribuição líquida das exportações em termos reais  com uma contribuição de 0,9 pontos percentuais de crescimento e a procura interna a contribuir com 1,2 pontos percentuais. O BNS recentemente reviu a sua estimativa para 2013 de 1-1,5% para 1,2-2,0% de crescimento. Os preços ao consumidor numa base anualizada foram constantes em Agosto de 2013, depois de um período de 21 meses de deflação em termos anuais. O BNS prevê uma diminuição de 0,2 por cento nos preços ao consumidor este ano. Com um baixo desemprego (3,2 por cento) e uma utilização de capacidade produtiva (cerca de 80 por cento) isto parece haver pouca folga na economia. O BNS estima que o gap no produto e no primeiro trimestre de 2013 era cerca de 1 por cento do PIB potencial.

(continua)

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[1] Excertos de:  Report to Congress on International Economic and Exchange Rate Policies; U.S. Department of the Treasury, Office of International Affairs, October 30, 2013

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Para ler a Parte IX desta síntese de Júlio Marques Mota, publicada ontem em A Viagem dos Argonautas vá a:

http://aviagemdosargonautas.net/2013/12/25/a-analise-americana-da-economia-a-nivel-mundial-excertos-1-uma-sintese-por-julio-marques-mota-9/

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