Celebrando a Ronda dos Quatro Caminhos – 1 – por Álvaro José Ferreira

Nota prévia:

Para ouvir os temas da Ronda dos Quatro Caminhos, há que aceder à página http://nossaradio.blogspot.com/2013/12/celebrando-ronda-dos-quatro-caminhos.html e clicar nos respectivos “play áudio/vídeo”.

Ronda dos Quatro Caminhos (de 1986 a 1993):

Imagem1

Em pé (da esquerda para a direita): Daniel Completo, António Silva Lopes  e Fátima Valido; Sentados (da esquerda para a direita): João Cavadinhas e António Prata.

Fundada em finais de 1983 por Vítor Reino (oriundo do grupo Almanaque) e
outros nove músicos, a Ronda dos Quatro Caminhos (http://www.rondadosquatrocaminhos.pt/), uns
dos grupos de referência da música tradicional portuguesa, completou este ano
três décadas de existência. Não contando com as compilações, a discografia da
Ronda compreende, até à data, dez álbuns de estúdio e três ao vivo.

O blogue “A Nossa Rádio”, em reconhecimento do muito que a
Ronda dos Quatro Caminhos fez no domínio da recriação, valorização e divulgação
do nosso cancioneiro tradicional, aproveita a efeméride para revisitar a sua
valiosa discografia, seguindo o fio do tempo, desde o primeiro álbum
(“Ronda dos Quatro Caminhos”, 1984) até ao mais recente
(“Sulitânia”, 2007).

É uma amostra inevitavelmente parcelar, dada a extensão do repertório,
mas bem exemplificativa da excelente qualidade do trabalho realizado pelo grupo
e do quão incompreensível e deveras criminosa tem sido a sua ocultação por
parte de quem gere (e aprova) a ‘playlist’ da Antena 1, a tal que tem a
obrigação de «promover a divulgação da música de autores portugueses, bem como
dos seus intérpretes e compositores, comprometendo-se a inserir na programação
uma percentagem mínima de 60% de música de autores portugueses e de expressão
portuguesa» [cláusula 7.ª, 2.a) do Contrato de Concessão do Serviço
Público de Radiodifusão Sonora
].

Chula Velha

Letra e música: Popular (Ponte da Barca, Minho)

Recolha: José Alberto Sardinha

Intérprete: Ronda dos Quatro Caminhos* (in LP “Ronda dos Quatro
Caminhos”, Rádio Triunfo, 1984, reed. Movieplay, 1997)

[instrumental]

– Se és galo ribana a crista,

Se és frango larga a penuge!

Se vens p’ra cantar comigo,

Ata os sapatos e fuge!

(Salta p’ra o terreiro se tens goela!

Arrebita-me essa crista!)

– Tenho um saco de cantigas

Inda mai-l’um guardanapo.

Se isto vai com desafio

E vou e desato o saco!

(Aguenta-te lá com esta esta!

Vamos embora!)

– Esta moda bem cantada,

Bailadinha como é,

Faz desengonçar as velhas

Do canto da chaminé.

(E arrepipa-me nesse bombo!)

– Ó Chula, ó velha Chula,

No domingo vou-te esp’rar.

Quer de noite quer de dia

A chula há-de se dançar!

(Ai, há-de sim senhor!)

[instrumental]

(Puxa agora p’ra acabar!)

[instrumental]

* Instrumentos: duas violas, viola braguesa, dois cavaquinhos, dois
violinos, baixo acústico e bombo

Nota: «A chula constitui, sem sombra de dúvida, uma das mais antigas e
representativas danças populares portuguesas, possuindo contornos específicos
que lhe conferem uma individualidade bem definida e justificam, de certa forma,
a opinião segundo a qual se trata de uma das mais autênticas e características
canções bailadas do nosso país. Dança tipicamente nortenha, baila-se do Minho à
Beira Alta setentrional, ainda que com variações sensíveis na coreografia e
respectivo acompanhamento instrumental.

Frequentemente executado ao desafio como no exemplo presente, a sua
estrutura própria e pulsação particular relacionam-se intimamente com todo o
enquadramento musical, essencialmente caracterizado pela inclusão de um refrão
ou interlúdio unicamente instrumental, que funciona como elemento de separação
entre as intervenções dos cantadores.

A “Chula Velha”, que escolhemos para abrir este disco,
salienta-se pela vivacidade e graciosidade invulgares da sua melodia,
apresentando um raro e curioso recorte rítmico. A parte instrumental que a
acompanhava perdeu-se por completo, razão pela qual procurámos, com base nos
poucos elementos conhecidos e na nossa própria intuição pessoal, devolver-lhe
toda a riqueza e colorido de conjunto que decerto possuía, introduzindo-lhe um
refrão e uma linha musical autónoma a cargo de dois violinos, que empregámos à
semelhança das antigas rabecas chuleiras.» (Vítor Reino / Ronda dos Quatro
Caminhos)

(Continua)

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