Não há outro Livro que melhor nos diga! – por Mário de Oliveira

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Nesta rubrica diária das dez da manhã, falamos de livros, de autores, de tradutores, de livreiros, de editores. Dedicamos o espaço a um livro em particular, aos livros em geral, àImagem1 problemática e às profissões do livro. Dissemos logo no primeiro dia em que publicámos Livro & Livros que não seríamos imparciais e que iríamos dar prioridade a livros escritos, traduzidos ou editados por argonautas. Por isso, o espaço de hoje é do nosso companheiro de viagem, Mário de Oliveira, sacerdote católico, presbítero do Porto e argonauta.

É no movimento político maiêutico que acontece a transformação e salvação do mundo e a saúde/salvação da sociedade. E quemImagem1 diz movimento, diz vento, sopro, ruah. Apenas no hebraico clássico da Bíblia, o substantivo Ruah, que traduzimos por Espírito/Sopro/Vento, é um substantivo feminino. Por isso, podemos e devemos dizer que sem o Feminino, feito movimento político maiêutico, não há transformação e salvação do mundo, e não há saúde/salvação da sociedade. Porém, desde há milénios que o Feminino tem sido sistematicamente relegado da história e da sociedade. E os países do Ocidente são, neste particular, uma catástrofe, geradores de sucessivas catástrofes. Na génese de todos eles, está a Bíblia do judaísmo e do cristianismo, na sua vertente acentuadamente patriarcal. O próprio profetismo bíblico é acentuadamente patriarcal, macho. Primeiro, porque não há mulheres profetas. E, se as há, não têm nunca a influência de um Isaías, Jeremias, Ezequiel, Oseias, Elias, Malaquias. Todo o profetismo gira em torno da casa real de David/Salomão que os profetas, juntamente com os sacerdotes, apresentam como a dinastia escolhida e ungida por Deus para reinar/governar os outros judeus e todos os demais povos do mundo. É a nazi ideologia/teologia do Povo eleito, ou Povo escolhido, que tem a justificá-la um Deus macho, o Deus do Poder, ele próprio omnipotente, omnisciente, omnipresente. Mesmo quando parece que cuida dos povos e da terra, sempre domina e explora tudo e todos. Em nome de um Deus, concebido como o Poder e a fonte/legitimação de todo o Poder. Não é, então, de estranhar que tudo hoje ande pervertido e, mesmo assim, continue a ser aceite pelas populações, graças à nazi ideologia/teologia do Poder que tudo cobre e justifica.

Se, entretanto, acolhermos o estudo bem fundamentado que é o Livro JESUS SEGUNDO JOÃO, o 4.º Evangelho traduzido e anotado como nunca o conhecemos, Seda Publicações, 1.ª edição, Outubro 2013, 2.ª Edição, Janeiro 2014, damo-nos conta, com surpresa e, porventura, com escândalo, que Jesus, o de antes do cristianismo, apesar de ser um judeu nascido em Nazaré da Galileia, não se revê em nada no judaísmo davídico, nem em nenhum outro tipo de sistema de Poder. Ao Poder e ao Deus que o justifica e abençoa, chama-lhe Diabo, um substantivo mítico que, na sua cultura, significa o Tentador, o que divide a humanidade para melhor poder reinar sobre ela, quando, no início dos inícios, havia uma só humanidade. O Poder, ao acontecer, é, por natureza, fonte de divisão. Cria elites que decidem e que mandam e maiorias silenciosas e subjugadas. Elites que se vêem a si próprias como intermediárias entre o Poder, o Deus Poder/Diabo, e as maiorias da população, suas súbditas. São algo espúrio, estranho, divino, não humano, a pairar ininterruptamente sobre as populações que, por causa delas, nunca chegam a ser Eu-sou, sujeitas dos seus próprios destinos. Para cúmulo, estas elites do Poder sempre se fazem passar aos olhos das populações, como indispensáveis e como ungidas/escolhidas por Deus para aquela função histórica. “Diabo”, chama Jesus, o de antes do cristianismo, a semelhante Deus. É logo tratado por louco e, finalmente, assassinado na cruz. Para que, desse modo, se cumprisse a Escritura ou Bíblia e Jesus fosse para sempre o maldito dos malditos, alguém não-existente, nunca tido em conta, nunca levado a sério. Só que o maldito segundo a Bíblia e o seu Deus Poder/Diabo, é a pedra angular duma sociedade outra, que se queira, plena e integralmente, humana. E, como nos revela, demonstra JESUS SEGUNDO JOÃO, é precisamente com Jesus, o maldito segundo a Bíblia do judaísmo e do cristianismo, que Deus Abba-Mãe que nunca ninguém viu, está, e não com as elites do Poder que o matam e matam quantas, quantos se lhe parecem. Só que, com isso, revelam bem o que são: – elites mentirosas e assassinas por natureza.

Com o aparecimento do cristianismo imperial romano, a nazi ideologia/teologia do judaísmo davídico alcançou o seu cume de influência perversa no planeta e nas mentes/consciências dos povos da terra. E, hoje, ei-lo aí mais pujante do que nunca, na sua versão laica e ateia, o Poder financeiro global. Por isso, nunca é demais sublinhá-lo: ou a Sociedade muda de ser e de Deus, e é um Hoje com amanhã, ou prossegue como até aqui e converte-se num hoje-sem-amanhã. Porque o cristianismo laico e ateu – o Poder financeiro global, no seu pior – origina, alimenta, justifica um tipo de mundo nos antípodas do Movimento político maiêutico, essencialmente, feminino, nos antípodas do Cuidado, do Cuidar. Onde chega, reduz tudo e todos a súbditos, a coisas, a objectos, a mercadorias. Odeia a vida, em toda a sua múltipla diversidade de espécies. E odeia o Feminino, o Movimento, a Política praticada, a Maiêutica.

Em verdade, em verdade, lhes digo: se quisermos entender bem este tipo de mundo cristão laico e ateu do Poder financeiro global, e como havemos de ser-viver-actuar politicamente, para o destronarmos, temos de conhecer-estudar-debater o Livro JESUS SEGUNDO JOÃO. Não o digo, por ser eu, o Autor. Digo-o, porque não há outro Livro que melhor nos diga como seres humanos, reiteradamente tentados pelo Poder e que melhor nos revele Deus que nunca ninguém viu, em permanente guerra aberta com o Deus-Diabo, mentiroso e assassino, desde o princípio, por isso, o pai de um tipo de mundo cada vez mais planetária fábrica de produção de pobres e de pobreza em massa, de vítimas, de doenças e de mortes em série antes do tempo. Com o estudo de JESUS SEGUNDO JOÃO, depressa nos damos conta de que somos uma só humanidade, constituída por múltiplos povos, chamados a viver organizados ao modo dos vasos comunicantes, todos fecundamente habitados por Deus Abba-Mãe que nunca ninguém viu, todo Ruah, todo Fonte de vida, todo Feminino, todo Cuidado, todo Amor gerador de vida, todo Movimento político, todo Maiêutica. Adquiramos, estudemos, debatamos JESUS SEGUNDO JOÃO!

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