Selecção, tradução e introdução por Júlio Marques Mota
PARTE VIII
(CONCLUSÃO)
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6. Conclusões finais
Sucessivas consolidações nos últimos anos têm deprimido o crescimento na zona euro. As simulações aqui apresentadas mostram os efeitos de repercussão das consolidações simultâneas em todos os países da zona euro que ao mesmo tempo mais exacerbaram ainda a recessão no programa dos países vulneráveis. Enquanto o impacto dos multiplicadores está em média no intervalo entre ½ e 1, dependendo do grau de abertura, as repercussões negativas podem adicionar entre 1½ e 2½ pontos percentuais aos efeitos negativos sobre o crescimento. O impacto do PIB pode ser consideravelmente menor se a credibilidade é alcançada mais cedo, em oposição a assumida gradual aprendizagem nesses cenários, mas os efeitos podem ser ainda maiores se as consolidações tiverem sido feitas mais a partir das despesas que das receitas.
Os prémios de risco soberano mais elevados nos últimos anos devido às incertezas relacionadas com os efeitos de reacção entre bancos e soberanos e com a ideia de risco por redesignação de activos têm reduzido ainda mais o crescimento económico. No entanto, a dependência assumida no modelo quanto aos spreads soberanos relativamente aos rácios de dívida pública actual implica uma miopia pelo lado dos mercados financeiros, como se os investidores não reconhecessem a queda acentuada [obrigatoriamente assim pois a dívida sobe e o PIB desce] na dívida soberana que se seguem às consolidações no médio prazo. Se em contraste os mercados financeiros fossem mais lúcidos e capazes de olhar para o futuro ( more forward-looking ) reconheceriam as melhorias de longo prazo sobre os rácios de dívida, e os spreads soberanos baixariam imediatamente quando um país começasse a consolidação.
A conclusão de se ter encontrado grandes efeitos negativos sobre a produção e as repercussões negativas significativas não implicam que as consolidações orçamentais deveriam ter sido evitadas. Os países altamente endividados enfrentaram a pressão dos mercados financeiros, e em alguns casos perderam completamente acesso aos mercados, e um ritmo mais lento de consolidação poderia, de um modo geral, ter levantado receios de uma entrada em situação de incumprimento.
Tais expectativas de incumprimento podem levar a resultados de crescimento piores ainda do que as consolidações em si-mesmas (Corsetti et al (2012), Roeger e in’t Veld (2013)). A questão fundamental é a do ritmo apropriado para as consolidações. Por um lado pode-se argumentar que enquanto prevalecerem as condições de crise, um ritmo mais lento, ou seja, ‘ transferindo algum do ajustamento necessário para mais tarde, pode ser prudente para que uma parte da carga possa ser transmitida para um período longo, quando as condições melhoraram e os multiplicadores forem menores, ou seja, quando se reduzirem as restrições de crédito e a política monetária pode ser eficaz a apoiar o crescimento. Porém, uma adaptação mais gradual requer uma estratégia de consolidação credível de longo prazo, concebida para evitar reacções adversas dos mercado financeiro à imposição governamental de um ritmo mais lento de consolidação. O desafio é encontrar o ritmo certo para alcançar esta credibilidade, evitando tanto quanto possível os efeitos adversos do crescimento a curto prazo. As repercussões negativas da consolidações em países excedentários levanta a questão de se um estímulo temporário em países de notação AAA poderia ajudar no necessário processo de reequilíbrio na zona euro. Embora o impacto sobre as balanças correntes seja na verdade modesto este claramente não pode ser visto como um substituto para as [necessárias] reformas nos países deficitários, esse comportamento dos países excedentários iria apoiar o seu próprio crescimento e os seus efeitos de repercussão sobre os países da periferia em dificuldade facilitaria e ajudaria mesmo o processo de ajustamento levado por estes a cabo com a sua política de consolidação.
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Para ler a Parte VII deste trabalho de Jan int’t Veld, publicada ontem em A Viagem dos Argonautas vá a:
