No céu de lusco-fusco – um poema de Adão Cruz

Imagem1No céu de lusco-fusco eras a luz do sonho e do infinito anoitecer chuvoso com cheiro a terra molhada

Eras a fragrância dos campos no suspiro de um violino à sombra da figueira nos primeiros chuviscos do verão

Eras a luz da tarde tombada num ramo de flores colhidas ao fim do dia

Eras o gesto de quem diz que os braços se enlaçam para aquecer o coração frio

Eras a fome e a sede que o êxtase celeste inspira sob um tecto de magnólias

Eras o veludo do orvalho nas lágrimas da noite pura ao romper da madrugada

Eras tudo… e nada

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