RETRATOS COM HISTÓRIAS – ROSA RAMALHO – POR EDUARDO GAGEIRO

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Rosa Ramalho. 1968. “Foi para o Século Ilustrado, num stand de artesanato no Museu de Arte Popular”

A sua actividade de ceramista popular ou louceira, de São Martinho de Galegos (Barcelos), atingiu marcas pessoais a ponto de exibir traços identificadores das suas peças resgatadas do imaginário popular e fantástico: cristos, diabos, alminhas, sereias ou bichos ferozes transplantados de um bestiário recuperado do fundo dos tempos.

Frequentava feiras e exposições (algumas vezes a contactámos na Feira de Artesanato de Cascais) com os seus bonecos irrepetíveis, todos marcados pelo monograma “RR” inconfundível. Dialogava com vivacidade por vezes desconcertante. Consta que, certa vez, num desses certames, se lhe dirigiu Salazar, e que perguntando-lhe «Estes bonecos, és tu que os fazes, ó filha?», Rosa lhe terá respondido de forma despudorada e com refinada malandrice. Mário Cláudio trouxe a sua figura para a cena literária através do romance “Rosa” (1988), inspirando-se na biografia da ceramista. (MS).

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