MORTE DE CASTRO ALVES – por Fernando Correia da Silva

Um Café na Internet

Em Outubro de 1870, no comício de apoio às vítimas francesas das tropas de Bismarck, o poeta brasileiro Castro Alves declama:

Já que o amor transmudou-se em ódio acerbo,
Que a eloquência é o canhão, a bala – o verbo,
O ideal – o horror!
E, nos fastos do século, os tiranos
Traçam co’a ferradura dos uhlanos
O ciclo do terror…
(…)
Filhos do Novo Mundo! Ergamos nós um grito
Que abafe dos canhões o horríssono rugir,
Em frente do oceano! Em frente do infinito
Em nome do progresso! Em nome do porvir!  

 É a sua última aparição em público. O estado de saúde agrava-se. Recolhe-se à casa da família. Em 1871, na noite de 23 de Junho aproxima-se da varanda. O fumo das fogueiras de São João provoca-lhe um acesso de tosse que o deixa prostrado. Febre alta, hemoptises. Ordena que impeçam a visita de Agnese. Não consente que a Diva derradeira contemple a sua ruína física. A 6 de Julho pede que o sentem junto a uma janela ensolarada. A contemplar o longe, morre às 3 e meia da tarde. 24 anos, vida breve, intensidade.

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