CRÓNICA DE DOMINGO – “Crime na aldeia global” – por Rachel Gutiérrez

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Estupro múltiplo de uma jovem é justiça na Índia

Talvez pouca gente se lembre de um documentário chocante dos anos 60 do século passado, mais precisamente de 1962, dos cineastas italianos Cavara, Jacopetti e Prosperi, que se especializaram em mostrar aberrações, crueldades, costumes bárbaros etc. Apesar do título “mundo cão” ofender a própria espécie canina, é essa expressão que nos ocorre ao tomarmos conhecimento do último ato de barbárie praticado por seres humanos absolutamente desprezíveis e repugnantes, pertencentes a esse Conselho tribal que mandou estuprar uma jovem indiana simplesmente porque ela ama alguém que não é da sua tribo, ou da sua comunidade. O rapaz escapou da punição porque pôde pagar uma multa de cerca de 980 reais; a moça, cuja família não tem dinheiro para pagar a multa sofreu o estupro coletivo ordenado pelo conselho ( ?) dos mais velhos de sua aldeia e praticado por treze malfeitores ignorantes e obedientes. Que mundo é esse? Que seres humanos são esses que se arvoram em juízes do que eles não alcançam nem entendem, o sentimento do amor? Com que direito esses aleijados da alma punem jovens apaixonados só porque pertencem a comunidades diferentes entre as quais o amor é proibido? No país de Gandhi e de Nehru, no país da espiritualidade, de Brahma, de Krishna, dos Upanishads e do Mahabaratta, como é possível que algo tão horrendo aconteça e não escandalize e convulsione a sociedade inteira para que todas as péssimas interpretações de sua cultura sejam postas em questão e em discussão? E por que a ONU, a União Européia e todas as organizações internacionais que defendem os Direitos Humanos e a Anistia Internacional não protestam e programam campanhas de reeducação sistemártica da humanidade inteira? Até quando as mulheres continuarão a ser massacradas pela intolerância, pela prepotência, pelo arbítrio e pela injustiça da cultura androcêntrica que deforma tanto a nós, a nós todos – seres humanos?

Sim! Publicamos em todos os jornais. E depois esquecemos. E nos concentramos em mais uma Olimpíada ou em alguma campanha eleitoral.

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