EDITORIAL – Sabe o que é o relógio da Samsung?

Imagem2Tem tido muitas leituras uma crónica que aqui publicámos há uma semana sobre o despedimento de uma jornalista da TVI que, cumprindo a sua missão profissional, denunciou a protecção que os governos neo-liberais dão aos colégios privados, foi despedida. Quantos colégios e quantas universidades privadas sugam ao orçamento o que podia ser aplicado no Ensino público? Num sistema de ensino eivado de problemas, o poder político associado à corporação do negócio mediático, opta por eliminar as vozes que revelam os problemas.

Sabe o que é o relógio da Samsung?

É um relógio que se liga à internet e possui algumas das funcionalidades que caracterizam um smartphone. Talvez esta informação seja esclarecedora, talvez não seja. O que é evidente é que dentro de pouco tempo esta novidade estará esquecida. As novidades tecnológicas sucedem-se a uma velocidade estonteante. Os iPads têm menos de três anos, mas há jovens que já os consideram coisa corriqueira. Os Google Glass são óculos que permitem sobrepor imagens digitais ao que o utilizador estiver ver, ou seja, pode estar à mesa a dar conselhos aos filhos, ao mesmo tempo que vê um desafio de futebol ou, ainda melhor, pode assistir a um qualquer programa de televisão enquanto os óculos mágicos, ligados à Internet lhe proporcionam outro qualquer espectáculo ou informação. Por exemplo, pode estar à janela de um bairro degradado enquanto os óculos mágicos lhe mostram um condomínio fechado na Califórnia.  São invenções úteis? Talvez sim, talvez não…

Sob esta catadupa de sistemas de informação, parece óbvio que os jornais, tal como hoje os conhecemos, têm os dias contados. Fazem falta? O que faz falta nos jornais é a integridade dos jornalistas, é o cumprimento do código deontológico da profissão. O papel do papel é secundário. O caso da TVI e de Ana Leal demonstra que o problema do jornalismo não é a ameaça tecnológica, não são os iPads, os óculos da Google ou o relógio da Samsung. A comunicação social é uma arma poderosa, seja qual for o suporte físico em que for veiculada.Dizer a verdade, doa a quem doer, é a obrigação do jornalista. O que conduz à extinção da espécie, pois a “verdade “ é aquilo que o poder quiser que seja. Quem não estiver ao serviço da “verdade” conveniente, está a mais. Os “jornalistas” que o poder aceita são moços de recados.

E a culpa não é do relógio da Samsung.

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Para ler a crónica sobre o despedimento da jornalista da TVI, clicar

http://aviagemdosargonautas.net/2014/01/19/2043590/

 

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