N.ª S.ª do Carmo da Penha, em Guimarães – Volta Lutero! – por Mário de Oliveira

Useiro e vezeiro, o papa Francisco volta a virar-se para Guimarães, mais propriamente, para o santuário de nossa senhora do carmo da Penha. É o que faz ter em Roma um cardeal nascido em Guimarães, o cardeal Dom Manuel Monteiro de Castro, plenipotenciário-mor emérito da Santa Sé. Graças a ele, o Papa Francisco, depois da indulgência plenária que concedeu a quem fosse peregrinar até à Penha, no dia da 120ª peregrinação, em 2013, concede agora, a indulgência plenária perpétua ao próprio Santuário da Penha. Querem mais absurda forma de promover o turismo religioso para a Penha? O belo espaço natural que é aquele ponto alto de Guimarães, de nada vale para o papa. O que vale para ele, é aquele mostrengo, chamado santuário que lá se encontra, a destoar por completo de toda aquela maravilha da Natureza, que poderia e deveria ser qualificada como património da Humanidade.

 Lutero tem de voltar. Não à Alemanha, onde nasceu, mas, agora, à Penha, em Guimarães. Para, lá do alto, voltar a gritar ao mundo o vergonhoso e obsceno negócio das indulgências vendidas pela Cúria romana. Indulgências plenárias e perpétuas, conseguidas, se lá se rezar pelas intenções do papa, e se deixar ao santuário mais ou menos avultada quantia em dinheiro ou em ouro, que os seus gestores sacerdotes estão precisados para aumentarem ainda mais as suas fortunas. Também as empresas de turismo local e outras, agradecem o gesto e o favor do Papa. Sempre o maldito Dinheiro como a mola real de tudo!

 Porém, o mais obsceno é que o próprio papa Francisco não faz ideia do que é o santuário da Penha. É, até, duvidoso que saiba que concedeu esta indulgência plenária perpétua a um santuário que não conhece e provavelmente nunca irá conhecer. Se conhecesse, sentiria vergonha, por ver o seu nome ligado a este negócio das indulgências, em Portugal. E, indignado com o facto, até dispensaria o regresso de Lutero. Assumiria, ele próprio, o grito dele, já com mais de 4 séculos. Porque a Cúria romana é que tudo faz e desfaz, em nome do papa. E ele, cada vez mais só – é o seu assassinato incruento! – incapaz, por isso, de controlar a Cúria, acaba a assinar de cruz tudo o que ela lhe coloca na frente para assinar.

 Não seja, entretanto, por esta concessão da indulgência plenária perpétua ao tosco santuário, em má hora, levantado na Penha, que as pessoas deixem de subir ao ponto mais alto de Guimarães. Ignorem por completo aquele mostrengo sagrado, e saboreiem a beleza natural que a Penha nos oferece gratuitamente. Respirem a plenos pulmões o seu ar puro e bebam da água leve e cristalina que jorra daqueles seus enormes penedos. Passeiem-se por entre eles e, lá do alto, em dia de sol, contemplem Guimarães e o seu povo. Deixem a senhora do carmo entregue às rezas das suas devotas assustadas, refugiadas no seu santuário com tudo de túmulo de imagens de caco ou de madeira, vida nenhuma. Admirem os penedos e o seu matemático equilíbrio. Deixem as indulgências do papa Francisco para quantas, quantos não têm a audácia de se assumir na vida, como filhas, filhos adultos de Deus Abba-Mãe que não gosta de santuários, nem de nossas senhoras do carmo ou de fátima, nem de clérigos, nem de sacerdotes, apenas de mulheres, homens de carne e osso, quanto mais ao jeito de Jesus, o seu filho muito amado, melhor.

 Viva, pois, a Penha e toda a sua beleza natural! Viva! Abaixo a senhora do carmo e toda a beatice que o seu santuário promove e vende! Abaixo!

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