TRABALHAR PARA QUE AS CRIANÇAS TENHAM CONDIÇÕES DE PERMANECEREM NAS SUAS FAMÍLIAS SEM ESTAREM EM PERIGO por clara castilho

9349741_b7nUlRealizou-se nos dias 20 e 21 o Encontro “10 anos a acertar o passo”, organizado pela Associação Passo a Passo, em parceria com a Comissão Nacional de Crianças e Jovens em Risco. Nele estive presente e pude constatar a qualidade das intervenções. Qualidade e pertinência, neste momento em que muitas Instituições Particulares de Solidariedade Social se terão que adequar às orientações da Portaria nº 139/2013, na modalidade CAFAP. Os Centros de Apoio Familiar e Aconselhamento Parental visam a qualificação familiar mediante a aquisição e o fortalecimento de competências parentais nas diversas dimensões da vida familiar e compreende níveis diferenciados de intervenção de cariz pedagógico e psicossocial de acordo com as características e necessidades da família, podendo integrar 3 modalidades de intervenção: Preservação Familiar (visa prevenir a retirada das criança ou jovem do seu meio natural de vida); Reunificação Familiar (visa o regresso da criança ou jovem ao seu meio familiar,   designadamente nos casos de acolhimento institucional ou em família de acolhimento) e Ponto de Encontro Familiar (visa a manutenção ou o restabelecimento dos vínculos familiares nos casos de interrupção ou perturbação grave da convivência familiar, designadamente em situação de conflito parental e de separação conjugal).

passo

No site da “Associação Passo a Passo” podemos ver que tem como principais objectivos: Prevenir a institucionalização infantil; Estabelecer de imediato uma relação criança/família, nas situações consideradas em risco psicossocial; Promover e defender a dignificação da maternidade e paternidade; Proteger a criança e o jovem com vista ao seu desenvolvimento integral; Proteger a família tendo em vista a efectivação de todas as condições que permitam a realização pessoal de todos os seus membros. Faz isto colaborando com os pais e as mães e promovendo a realização da relação de vinculação.

Foi criada em 2001 e reconhecida como IPSS, surgindo como resultado de várias preocupações e inquietações por parte de um grupo de profissionais de Saúde e de Justiça, face à crescente institucionalização de crianças, muitas das vezes como resultado das fracas condições sócio-económicas das famílias. Tendo em conta esta realidade,  implementou um conceito inovador na sociedade portuguesa, que passa por prestar apoio multidisciplinar às Famílias, no sentido de criar condições para que estas possam manter consigo as Crianças, evitando a institucionalização.

Em 2006 foi nomeada pela Fundação Calouste Gulbenkian para o Raymond Georius Prize for Innovative Philanthropy in Europe, promovido pela Network of European Foundation.

Ora, e que dados temos? Em Portugal, cerca de 9000 crianças vivem em instituições.

Em 2012, a “Passo a Passo” prestou apoio a 815 crianças nos concelhos de Lisboa, Loures, Amadora, Sintra e Arganil. O principal motivo da sinalização das crianças acompanhadas é a Negligência Infantil (Cerca de 94,6%%), sendo que as mesmas  pertencem a agregados com várias factores de risco familiares (Desorganização Familiar, Pobreza, Violência Doméstica, Saúde Mental, Migração…).

Muitas intervenções deixaram ideias novas, experiências que se podem replicar. Momentos de esperança? Talvez. Mas também de muito trabalho e investimento financeiro… o que se sabe andar por baixo. Mas também se sabe que uma criança institucionalizada é muito “mais” cara do que estas tentativas de reestruturar as famílias, e que, ainda mais “cara” é uma crianças a contas com a justiça (colégios de reinserção) e ainda mais se, quando adulto, estiver preso… Não há meio de saberem fazer as contas!

 

Leave a Reply