FRATERNIZAR – E a freira deu à luz um menino! Chamou-lhe Francisco

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Quê?! É verdade uma freira ter dado à luz um menino? É verdade, sim senhor. Que as freiras e os frades, pelo facto de o serem, não deixam de ser mulheres e homens com capacidade de gerar filhas, filhos. O voto de castidade que são levadas, levados a fazer e que tem tudo de monstruoso, quando não é assumido em consciência amadurecida e como entrega incondicional a uma grande Causa que tenha a ver com a libertação/transformação da Humanidade e da Sociedade, não afoga nem mata a sexualidade de cada uma, cada um. E tal é, infelizmente, o caso da generalidade das freiras e dos frades dos múltiplos institutos, conventos e congregações, em todo o mundo. Não há, da parte delas, deles, nem entrega incondicional a uma grande Causa, que tenha a ver com a libertação/transformação da Humanidade e da Sociedade, nem o voto que fazem é assumido por uma consciência livre e amadurecida. Pelo contrário, as suas consciências são, na generalidade, formatadas, desde e infância/puberdade, para virem a fazer, atingida a maioridade legal, semelhante opção. Tal como são levadas a fazer também as outras duas opções impostas a todas as freiras, todos os frades, concretamente, o voto de pobreza e o voto de obediência. O caso mais paradigmático em Portugal do que acaba de ser escrito, é o da chamada Irmã Lúcia, a de Fátima e da sua macabra senhora cega, surda e muda. Macabra senhora, sim, tal como são macabras, todas as imagens religiosas, de madeira, ou de caco, de ouro ou de prata, de ferro ou de bronze, todas teologicamente obscenas. Para uso de gente propositadamente mantida no infantil, sem nunca chegar a ser capaz de se assumir na História. Uma vergonha e uma humilhação.

 A freira, de 32 anos, que acaba de cometer a proeza de dar à luz um menino é salvadorenha, de nascimento, mas integra uma congregação de freiras em Itália, onde acaba de ser mãe pela primeira vez. Foi aliciada a ser freira e viu, nessa proposta, uma via, sem custos financeiros para ela, de fugir da pobreza imerecida que atinge a maioria dos salvadorenhos e latino-americanos. Vai daí, aceitou emigrar de El Salvador para a Europa do Dinheiro. Concretamente, para integrar a congregação italiana das “Discípulas de Jesus”. O filho que acaba de dar à luz, sem sequer saber que estava grávida – uma freira grávida é uma impossibilidade institucional e uma contradição e, por isso, nunca ela própria terá posto semelhante hipótese, mesmo quando sentia os vómitos e, por fim, as dores. Só quando foi levada ao hospital, com queixas de fortes dores de estômago é que soube, para espanto dela, que as dores eram de parto e que ia dar à luz um filho.

 Obviamente, o filho não foi concebido “por obra e graça do espírito santo”, que o Espírito Santo, o de Jesus, não anda por aí a engravidar mulheres, freiras que sejam e se digam. Muito menos Maria, a mãe de Jesus, que nem sequer foi freira, tão pouco fez voto de castidade, pelo contrário, foi noiva de José e, depois, sua esposa. O cristianismo e as igrejas cristãs negam esta evidência, porque preferem o universo dos mitos, ao da realidade. Mas só a realidade nos faz humanos, de dentro para fora. Os mitos fazem-nos infantis e mentalmente doentes, como esta freira salvadorenha que acaba de dar à luz um filho, sem saber sequer que estava grávida!!! Felizmente, Deus, o de Jesus e nosso, se formos mulheres e homens ao jeito de Jesus, é no universo da realidade que vive, não no dos mitos. E a sua alegria é que cresçamos tanto, de dentro para fora, em humano e em sororidade/liberdade, que cheguemos a viver na história como se Ele não existisse.

 Roxana Rodríguez – é este o nome da freira-mãe – decidiu pôr ao seu filho o nome de Francisco, o mesmo que o latino-americano que aceitou ser papa de Roma, escolheu. Diz que o fez, em homenagem a ele, o que é de lamentar e, nisto, mostra que nem o facto de ser mãe, a fez ainda sair do infantil e dos mitos. Porque o papa, nenhum papa, chame-se como se chamar, é referência de ser humano para ninguém. Referência de ser humano, será Francisco, o de Assis, cujo nome o papa argentino escolheu, não para ser outro Francisco, mas para ser mais e mais Papa. O que perfaz um desastre em toda a linha e o transforma em pedra de tropeço ou de escândalo, no qual, como aqui se vê, também esta freira salvadorenha acaba de tropeçar. O seu filho Francisco crescerá em humano, se vier a ter Francisco de Assis como uma das suas referências, e não, como pensa a freira, sua mãe, o papa Francisco. O futuro dirá por qual destas duas vias ele irá optar, à medida que crescer em anos e em estatura.

 Mas então – pergunta-se – como é que a freira engravidou, se nenhuma mulher, nem mesmo a mãe de Jesus, engravida pelo Espírito Santo? Ora, como havia de ser? Roxana teve de viajar, ano passado, a El Salvador, para renovar o seu passaporte, a fim de poder continuar a ser freira em Itália. Uma vez lá, voltou a encontrar-se com um antigo amor que deixou, para se fazer freira em Itália e foi o que agora se sabe, nove meses depois. O seu filho Francisco tem pai humano e é salvadorenho como ela. Só não foi ainda revelado o nome. E a freira ficou a saber, depois de tudo, que, afinal, o voto de castidade não funciona como uma pílula anti-conceptiva. Uma vez consumado o acto sexual, sem preservativo, em período fértil da mulher, freira que seja, é concebido um filho que, nove meses depois, obriga a respectiva mãe a dá-lo à luz.

 Falta agora saber se o papa Francisco sai em defesa da freira-mãe e se autoriza que ela, que até escolheu o nome dele, continue na congregação, juntamente com o seu próprio filho Francisco. Será a subversão da congregação e, porventura, o seu fim, se todas as outras freiras seguirem o exemplo desta salvadorenha, agora a viver na Europa, sem ter sido obrigada a passar por Lampedusa, a ilha que o papa Francisco visitou, mas que continua a ser a vergonha de Itália, do Estado do Vaticano e da Europa.

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