Novas Viagens na Minha Terra – Série II – Capítulo 181- por Manuela Degerine

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Entre o sol e as nuvens

A etapa de hoje é a mais comprida de todas. Trinta e dois quilómetros até ao albergue, mais três para o farol, outros tantos para regressar a Finisterra: dá um total de trinta e oito. (Bom programa.)

Ontem nos dez primeiros quilómetros subimos de 164 a cerca de 400 metros, nos seguintes dezassete quilómetros mantivemo-nos acima dos 320 e depois descemos a 280 metros (Olveiroa). Hoje prosseguimos pela serra durante metade do percurso. Hospital encontra-se a 343 metros, a bifurcação para Muxia (ou Finisterra) a 374, Ermita a 300 e o cruzeiro da Armada a 245. O resto do itinerário acompanha quase sempre a beira-mar por terras mais baixas: Cee está a 10, Vilar a 93, Sardinheiro a 8, Finisterra a 10 e o Farol a 130 metros.

Já vou na serra quando o sol começa a nascer. No ano passado, como se a etapa não bastasse, para mais com a tendinite, havia aqui um carro estacionado à frente do sinal: desci para a barragem, subi do outro lado, voltei a descer, uma paisagem excecional, certo, que me congratulo de haver descoberto, que todavia me acrescentou no total, ida e volta, com as suas subidas e descidas, mais quatro quilómetros à jornada.

Dormi muito bem esta noite, por enquanto – lagarto, lagarto – não tenho problemas musculares, sublime será a Galiza de hoje e amanhã, portanto o ânimo situa-se no zénite. Caminho um pouco na companhia de Carlo enquanto Adriano – o outro italiano – fica a tirar fotografias. Na verdade… Há esta luz, há o tojo, a giesta, a urze em flor, há as nuvens brancas a acompanhar a barragem e nós situados acima delas: um momento único. Também paro para ver. Carlo segue em frente; não voltarei a encontrá-lo pois optará por Muxia enquanto eu vou para Finisterra. Após ele passam diversos outros, entre os quais as suíças, logo a seguir o coreano… Que também não voltarei a ver. Tal como na vida: no Caminho de Santiago os encontros são fugazes.

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