POESIA AO AMANHECER – 373 – por Manuel Simões

poesiaamanhecer

Depois dos poetas cabo-verdianos, uma breve incursão pela poesia da Guiné-Bissau e de S. Tomé e Prímcipe, onde, como se sabe,  é um género sem grande representação.

                                   ANTÓNIO BATICÃ FERREIRA

                                                    (1939)

            PAÍS NATAL

            Um sentimento de amor pátrio sobe ao meu coração,

            Em espírito demando o meu país natal,

            E lembro aquela floresta africana,

            Cheia de caça e de verdura;

            Lembro as suas imensas árvores gigantes,

            A folhagem verde ou amarela

            Que nos perfuma.

            Revejo a minha infância,

            Toda cheia de alegrias:

            Eu corria pelo mato,

            Espiava os animais selvagens,

            Sem medo;

            E olhava os lavradores nos campos,

            E, no mar, os pescadores,

            Que lutavam contra o vento, para agarrar o peixe,

            E que eu, atento, seguia com o olhar:

            Como gostava de os ver no oceano

            Domar as vagas, que lhes queriam virar as barcas!

            (Ah!, bem me lembro, bem me lembro do meus país natal!)

 

            (de “Poesia & ficção”)

Um caso especial da poesia guineense. Filho de soba, deambulou por Dakar, Paris, Genebra e Lausana, onde se licenciou em Medicina. Começou a actividade poética em língua francesa e só mais tarde escreveu em português. Colaborou em “La Tribune Internacional des Poètes” e “L’Afrique Nouvelle”. Publicou: “Poesia & Ficção”, cadernos da Sociedade de Língua Portuguesa (1972). A sua poesia denota a influência de Leopold Senghor.

Leave a Reply