Depois dos poetas cabo-verdianos, uma breve incursão pela poesia da Guiné-Bissau e de S. Tomé e Prímcipe, onde, como se sabe, é um género sem grande representação.
ANTÓNIO BATICÃ FERREIRA
(1939)
PAÍS NATAL
Um sentimento de amor pátrio sobe ao meu coração,
Em espírito demando o meu país natal,
E lembro aquela floresta africana,
Cheia de caça e de verdura;
Lembro as suas imensas árvores gigantes,
A folhagem verde ou amarela
Que nos perfuma.
Revejo a minha infância,
Toda cheia de alegrias:
Eu corria pelo mato,
Espiava os animais selvagens,
Sem medo;
E olhava os lavradores nos campos,
E, no mar, os pescadores,
Que lutavam contra o vento, para agarrar o peixe,
E que eu, atento, seguia com o olhar:
Como gostava de os ver no oceano
Domar as vagas, que lhes queriam virar as barcas!
(Ah!, bem me lembro, bem me lembro do meus país natal!)
(de “Poesia & ficção”)
Um caso especial da poesia guineense. Filho de soba, deambulou por Dakar, Paris, Genebra e Lausana, onde se licenciou em Medicina. Começou a actividade poética em língua francesa e só mais tarde escreveu em português. Colaborou em “La Tribune Internacional des Poètes” e “L’Afrique Nouvelle”. Publicou: “Poesia & Ficção”, cadernos da Sociedade de Língua Portuguesa (1972). A sua poesia denota a influência de Leopold Senghor.