
Diz Sir Joseph Banks:
– Assim morreu James Cook, o maior dos navegadores britânicos, o grande cartógrafo. A sua carta do Pacífico é um monumento.
Tentamos desviar o rumo da conversa:
– Fernão de Magalhães nas Filipinas e James Cook no Havai. O tresloucado e o vosso herói da exatidão. Que mortes tão semelhantes… Afinal parece que o Pacífico é fatal para os seus descobridores.
Sir Joseph Banks abana a cabeça, concorda. Insistimos:
– Milord, e a vida privada de Cook… Afinal quem era Ela?
– Ela? Era a nave, a sua nave, a sua paixão maior, aquela que lhe permitiu alcançar o Longe. Esqueceis que, em inglês, ship (nave, navio) é feminino (she), quando quase todos os outros substantivos são neutros (it)? Casou com a sua nave, foi amor duradouro, infidelidades não houve…
Sir Joseph Banks e os maneirismos humorísticos…
– Milord: este é o século da busca do conhecimento exato. Mas é também o século dos libertinos. E Cook não bebia? Não tinha mulheres?
– Sei apenas que, todos os sábados, Cook punha de lado a sua habitual severidade e bebia um copo de punch à saúde de todas as belas mulheres. Nada mais sei. Cook foi sempre homem prudente. Quem mais quiser saber, que imagine o resto. Talvez uma mulher em Plymouth, talvez em Whitby… Talvez num lado e noutro…

Para que serve uma mulher, caro Fernando, quando o homem tem sua shee…ship?
abraço