POESIA AO AMANHECER – 378 – por Manuel Simões

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                                   TOMÁS MEDEIROS

                                              ( 1931 )

            UM SOCOPÉ PARA NICOLÁS GUILLÉN

            (fragmento)

 

            Conheces tu,

            Nicolás Guillén,

            a ilha do nome santo?

 

            Não? Tu não a conheces?

            A ilha dos cafezais floridos

            e dos cacaueiros balançando

            como mamas de uma mulher virgem?

 

            Bembon, Nicolás Guillén,

            Nicolás Guillén, bembon.

 

            Tu não conheces a ilha mestiça,

            dos filhos sem pai

            que as negras da ilha passeiam na rua?

            Tu não conheces a ilha-riqueza

            onde a miséria caminha

            nos passos da gente?

            ……………………..

            (in Inocência Mata, “Diálogo com as Ilhas”)

Poeta são-tomense. Viveu em Angola, no Gana, na Argélia e finalmente em Portugal. Colaborou em jornais e revistas angolanos, portugueses e soviéticos. Incluído em “Antologia Temática de Poesia Africana 1” (1975). Conhecido ensaísta, publicou, entre outras obras, “São Tomé e Príncipe – Perfil de uma Colónia” e, recentemente, “A Verdadeira Morte de Amílcar Cabral” (2012).

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