EDITORIAL – A semana de 22 ou os cinco dias que abalaram a arte

Imagem2Nem sempre, para não dizer mesmo quase nunca, quando factos verdadeiramente importantes acontecem se tem a noção da sua importância – envolvidos que estamos em novelos de ninharias, não temos meios que nos permitam estabelecer uma hierarquia correcta sobre o que vai ocorrendo no mundo.  A Semana de Arte Moderna, também conhecida como a “Semana de 22″, terá sido um desses acontecimentos de grande transcendência histórica que, naquele dia 11 de Fevereiro de 1922, terá passado sem que, quer no Brasil, quer em Portugal, tenha alcançado a merecida atenção. E, no entanto, nada ficaria igual após esses cinco dias.

Saber-se-ia depois que, com as sessões do Teatro Municipal de São Paulo, se transpôs um limiarImagem3 entre passado e futuro – a poesia e a literatura em geral, a pintura e a escultura, a música, a arte no Brasil, não iria mais abdicar dessa referência que foi a «Semana de 22». E o eco atravessaria o Atlântico. Mário de Andrade, Guilherme de Almeida, Plínio Salgado, Oswald de Andrade, Heitor Villa-Lobos, Di Cacalcanti, Anita Malfatti e tantos outros debateriam os alicerces do Modernismo. O século XX irrompia num universo artístico ainda dominado por um romantismo tardio. Novas cores,novas formas, novos vocábulos, novos sons… A Semana de Arte Moderna constituiu um momento de ruptura entre formas artísticas, onde havia obras valiosas, mas compassadas por rotinas cediças, e formas novas, onde nem tudo seria bom, mas onde brilhava a luz da novidade.

Não cabe neste Diário de bordo uma análise do que foi a Semana de Arte Moderna de São Paulo, no já distante dia 11 de Fevereiro de 1922. Queremos apenas lembrar um excepcional movimento de libertação estética e artística ocorrido no universo da nossa língua e extrair a lição possivel – nem sempre o passado impõe a sua tirania. O futuro, às vezes, chega ao presente.

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