O Público traz-nos uma notícia sobre uma questão conhecida, que não nos traz propriamente novidades. Um estudo da Universidade de Aveiro analisou 11 mil nomeações para cargos públicos feitas entre 1995 e 2009 e concluiu que a maioria serviu para recompensar lealdades partidárias e para controlar políticas públicas pelos governos. Ninguém fica surpreendido. Contudo não deixa de ser uma notícia importante, até por tratar abertamente uma questão tão relevante. Vejam o link no fim deste editorial.
O estudo informa que a situação não é exclusiva de Portugal. Refere o caso inglês e o desconforto sentido pelos ministros em trabalhar com uma administração pública permanente. Lembra-se a propósito a famosa série humorística Sim, Senhor Ministro, que abordava brilhantemente este assunto, mostrando situações muitas vezes caricatas, mas muito verdadeiras.
Ao contrário de João Bilhim, responsável da CRESAP (Comissão para o Recrutamento e Selecção para a Administração Pública), não cremos que a tendência vá no sentido de “valorizar o mérito e não a fidelidade”. Há factores muito poderosos a obstar esse caminho. Para além do desconforto que sente um novo responsável perante uma máquina que não domina (muitas vezes nem a conhece), as pressões que traz do seu lado são já muito grandes. Lembrem-se factos como o de que muitas adesões partidárias se devem ao desejo mais ou menos velado de arranjar emprego. Só por si este facto, muito mal estudado, mereceria um novo estudo, cujos resultados seriam muito esclarecedores e dariam um bom contributo para se conhecer a realidade da política portuguesa.


A realidade da política portuguesa é mesmo a única situação trasparente da nação! O sistema político é cacico-partidário – eu sei! É um neologismo que acabo de criar para designar a velha expressão jobs for the boys & girls… Não percebe porque o povo reclama! Continuam a votar neles – nos mesmos que vêem quer do antigo regime, quer do moderno maoísmo primário…