«Nutrimento, obediência, frangos a pataco, mulheres por um franco,
e “sim senhor” ainda mais barato.
O único problema, acrescentava, são os velhos soldados, e os mestiços
e os literatos que discutem as ordens e querem ser eleitos chefes
da aldeia».
A mim, não me agrada esta África.
(…)
A África dos servos
A África dos homens deitados que esperam a graça do despertar das
botas
A África da disenteria, da peste, da febre amarela, das “beatas” e do
chicote.
A África do “homem do Niger”, a África das planícies desoladas
Molestada por um sol homicida, a África das tangas obscenas e dos
músculos tesos no esforço do trabalho forçado,
A África das negras que servem o álcool do olvido no tabuleiro
dos lábios.
A África dos rapazes sugadores, das amantes de doze anos, dos seios
ondulantes ao ritmo de papaias maduras e dos ventres
inchados como abóboras na boa estação.
A mim, não me agrada esta África.
(de
“Nuova Poesia Negra”, versão de MS.)
Poeta das Antilhas, de expressão francesa. Niger pode situar-se entre Aimé Césaire, que não conheceu a África, e Senghor, que nela nasceu. Com os olhos do homem negro, vindo de fora, contempla a África até se reconhecer “irmão”. A sua poesia foi reunida em “Initiation” (Paris, 1954).