Cidade – luz, sombra e palavras – 7 – Lião – fotografias por Fábio Roque

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Imagem1Estas fotografias de Fábio Roque fazem parte de um projecto a que o autor chamou Stories e que, segundo ele, focam  situações casuais e independentes umas das outras, – «cada uma vale por si, e tem o seu significado particular». Há uma circunstância a que nenhum autor pode fugir – as leituras que se fazem da sua obra podem não corresponder ao sentido que quis imprimir ao seu projecto. Nesta série a que chamamos Cidade – luz, sombra e palavras é estabelecido um nexo alheio ao projecto enunciado pelo autor – relaciona-se a imagem de uma cidade com uma referência literária, um poema, um pormenor histórico… Uma leitura, das muitas que podem ser feitas a partir das fotos de Fábio Roque. Vejamos então Lyon ou, em português, Lião.

Foi fundada em 43 a.C. pelos romanos com o nome de Lugduno.  Na fotografia  vemos turistas visitando vestígios arqueológicos desse período.  Durante o Renascimento, a cidade desenvolveu-se com o comércio da seda, tornando-se uma importante cidade industrial no século XIX. Os tecelões da seda de Lyon, conhecidos como les canuts,  protagonizaram duas grandes revoltas em 1831 e 1834. A de 1831  é evocada por Yves Montand – Le chant des canuts.

Pour chanter Veni Creator
Il faut une chasuble d’or.
Nous en tissons pour vous, grands de l’église
Et nous, pauvres canuts, n’avons pas de chemise.
C’est nous les canuts
Nous sommes tout nus.

Pour gouverner, il faut avoir
Manteaux ou rubans en sautoir.
Nous en tissons pour vous, grands de la terre
Et nous, pauvres canuts, sans drap on nous enterre.
C’est nous les canuts
Nous sommes tout nus.

Mais notre règne arrivera
Quand votre règne finira.
Nous tisserons le linceul du vieux monde
Car on entend déjà la tempête qui gronde.
C’est nous les canuts
Nous sommes tout nus.

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