EDITORIAL – Mundial de Futebol – uma verdadeira prioridade para o Brasil?

Imagem2O Mundial  de Futebol de 2014 vai ser disputado no Brasil entre 12 de Junho e 13 de Julho. Os meios futebolísticos internacionais estão agitados e preocupados com diversos aspectos – as obras estão atrasadas – só hoje, dia 18 de Fevereiro,a FIFA decidirá se Curitiba acolhe ou não jogos da Copa.  Jérôme Valcke, secretário-geral da FIFA, alertou para o facto de haver ainda “muitos ajustamentos por fazer” na finalização das infra-estruturas. Valcke estendeu o alerta às 12 cidades anfitriãs,  insistindo na preocupação sobre os relvados.

Em entrevista concedida à France Football, o presidente da FIFA confessa que pode ter tido uma confiança excessiva no Brasil para organizar o maior evento do futebol mundial. Blatter voltou a afirmar que nunca um país teve tanto tempo, sete anos, para realizar uma Copa e garantiu que a presidente Dilma Roussef lhe prometeu provar que “o país estará pronto”. Em relação a obras de infra-estrutura, a revista afirma que os 600 mil turistas esperados no Brasil durante a Copa deverão transitar por aeroportos com “latas de tinta e andaimes pelos corredores”. Embora com alguma verdade de permeio, a revista francesa na sua edição de 28 de Janeiro, com a capa de luto onde se lê “Peur sur le Mondial”, com a letra “O” de   “mondial” na bandeira do Brasil, e em vez da divisa “Ordem e Progresso”, foi colocada uma tarja negra – exagero, catastrofismo puro, com uma ponta de xenofobia à mistura…

Porque a questão dos atrasos, não é a mais preocupante. Pela experiência de Portugal, quer na organização da EXPO-98, quer do Campeonato da Europa de 2004, apesar do que se disse e de todas as catástrofes que se previram, no momento das inaugurações tudo estava pronto. As preocupações mais legítimas situam-se noutro plano – a opinião pública brasileira está dividida quanto à realização    no país do Campeonato Mundial de Futebol. Compreende-se porquê. Segundo dizia também a France Football, o Brasil investiu para construir ou renovar 12 estádios e com outras obras da Copa mais de 11    mil milhões de euros, enquanto o orçamento do governo para a educação no país em 2013 foi de 12,8 mil milhões. Há sempre quem afirme que o retorno financeiro será compensador… Mas quase sempre não é    verdade. E, quando o Campeonato chegar ao fim, mesmo que seja campeão, o Brasil estará mais pobre.

E isto é bem mais grave do que uma ou outra lata de tinta, um ou outro andaime, nos novos terminais dos aeroportos. Isto, a serem autênticos os números da France Football, demonstraria que, mais uma vez, os políticos jogam com o destino dos povos e definem prioridades de uma forma demagógica, privilegiando o que lhes confere popularidade em detrimento do que é vital para os povos que governam.

1 Comment

  1. Eu acho que o principal problema da organização da Copa do Brasil é mesmo a opinião pública. Os atrasos nas obras, não são algo novo neste tipo de eventos… a Expo 98 e o campeonato da Europa que decorreram em Portugal são um bom exemplo disso, de facto. Agora, o povo brasileiro desejava mesmo esta Copa? tenho dúvidas.

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