Em 1954 me faço bacharel em Filosofia, ao mesmo tempo que praticamente começo o meu curso de Direito, concluindo o seu segundo ano. Foi quando, no entusiasmo pelo título apenas conquistado, aceito de realizar uma experiência muito particular na minha Faculdade Nacional de Direito da Universidade do Brasil: me decido de dar um curso veloz, de vinte lições, sobre o existencialismo de Kierkegaard, tomado-o em particular como um exemplo no plano das relações entre conhecimento filosófico e comportamento psicológico.
Quanto mais o meu curso ia adiante, mais via a integração intensa dada pelos meus 20, 30 colegas, futuros juristas que, como eu, sonhavam de ser válidos juristas num próximo futuro.
Os colegas próximos advogados não faltavam em
nenhuma oportunidade aos nossos 2 encontros semanais. As idéias e lições do mestre dinarmaquês envolviam a curiosidade cultural de todos aqueles jovens. Isso, cada dia sempre mais vivamente e, em especial, com o conhecimento que passam a ter sobre as vicissitudes existenciais e os empenhos comportamentais do Filósofo em confronto com a sua amada noiva, Cristina Olsen.
Acabado o fatídico curso, entre amigos, alguns deles não me deixavam retornar à normalidade de nossos relacionamentos, pois passam a desejar que eu lhes sirva de guia para o melhor encontro com os respectivos comportamentos psicológicos, em modo especial, no quanto se referisse aos seus empenhos existenciais, com ênfase para o plano amoroso. Então, me senti assediado por desejos de solidariedade que iam além de minhas potencialidades.
Foi quando, mais do que nunca, fiquei consciente que não seria possível, para mim, assumir a responsabilidade da prática clínica da psicologia. Justamente naquele momento inicial da
mesma prática no Brasil.
As minhas lições no Instituto Brasileiro de Psicologia, alargamento das teorias que me vinham dadas nas aulas de psicologia do meu curso de Filosofia, não me pareciam suficientes para assumir tais empenhos. Em especial, quando a prática da Psicologia clínica procura aproximar-se principalmente da psiquiatria, ignorando quase completamente o plano da filosofia. Para mim, essa foi sempre indispensável para o melhor conhecimento da psicologia, enquanto ação terapeutica.
Hoje, quando em muitas partes do mundo, dos países da União Européia, aos Estados Unidos, ao Brasil, se alarga sempre mais o campo profissional da clínica psicológica, mais ainda se sente a necessidade de conceder aos psicólogos o direito de amplo acesso aos estudos filosóficos, pois a filosofia, como ensinam Platão, Aristóles, nasceu na praça pública, em constante busca do diálogo entre os homens, fazendo-se assim, matéria essencial do conhecimento das coisas e dos homens.

