Saiu no Publico de dia 14 um artigo assinado por 23 mulheres, 15 homens ( da sociologia, historia, politologia, antropologia, psicologia, economia), de diversas universidades de Lisboa. Todos nomes que estamos habituados a ver estudar, ensinar e intervir sobre estas áreas. Decerto outras pessoas subscreveriam também.
Questionavam o facto de se estar a realizar uma conferência sobre o país onde a palavra é dada apenas a homens: Olhares Cruzados sobre Portugal (29 Jan.-19 Fev. 2014), organizada pela Universidade Católica, e onde os “12 ilustres convidados” são só homens. Ironizam: ”Provavelmente nem repararam, tal é a naturalização da ausência de mulheres no espaço público”.
Referem que tal facto é habitual, comprovado pelo estudo de Rita Figueiras investigadora da Universidade Católica Portuguesa, que mostra que a percentagem de mulheres é residual: em 2005, 87% dos comentadores eram homens e apenas 13% eram mulheres. E questionavam-se : “Quase dez anos depois, mudou alguma coisa?”
Consideram que: “O que está em causa não é o “mérito” de quem é escolhido. O que está em causa é o processo, consciente e inconsciente, que leva a que a voz masculina seja a voz pública dominante. O que está em causa é aquilo que esta e muitas outras conferências afirmam sem o dizer – que o mérito ainda é considerado um atributo masculino e que a consciência de género das nossas elites – homens, mas tantas vezes também mulheres – é, no geral, incipiente, quando não mesmo inexistente.”
Contrariando o argumento de que “existem mais homens notáveis do que mulheres”, há o facto concreto de que a maioria dos “doutorados” em Portugal são “doutoradas”.
Quarenta anos depois do 25 de Abril, isto “ revela que continuam a subsistir muitos sinais de exclusão evidente face às mulheres.”
É como se esquecessem que mulheres, por exemplo, já foram directoras clínicas em vários hospitais centrais, na saúde representam 75,2 por cento dos profissionais – 128 526 no total, segundo dados do Ministério da Saúde (Balanço Social Global 2011), que são o grupo mais numeroso na enfermagem, uma profissão tradicionalmente feminina (33 mil mulheres entre os 40 283 profissionais), seguido dos assistentes operacionais (28 063) e dos médicos (26 136, dos quais 14 mil são mulheres).
Ao ler este artigo, não pude deixar de me lembrar de este video que acerta bem no âmago da questão.

