EDITORIAL – QUE FUTURO PARA A UCRÂNIA?

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Parece desnecessário  repetir o seguinte. O futuro vai ser muito difícil para a Ucrânia. . Para além do que vem de trás, com muito peso no que se está a passar, existem outros factores que os próprios ucranianos terão muitas dificuldades em compreender e, compreensivelmente, mais ainda em aceitar. Contudo eles estão aí, e não param.

O primeiro é a crença dos Estados Unidos em que têm de ser uma nação líder ao nível mundial. Essa crença assenta noutra, ainda mais extraordinária e perigosa: de que têm um sistema de vida e de organização política superior ao de todos os outros países. Evidentemente que o cinismo político, aliás, a hipocrisia que está por detrás destas crenças não escapa a muita gente. Contudo, estão aí as revelações de Edward Snowden, e não só, para nos mostrar o estado insano a que chegaram as coisas ao nível mundial, devido àquelas crenças, que foram arvoradas em princípios ideológicos e de orientação política.

O segundo é a miséria moral que preside ao funcionamento daquilo que se chama a União Europeia. Lançada com objectivos julgados interessantes por muita gente, tem conhecido uma deriva que não pode deixar de indignar tanto os seus apoiantes que ainda guardam alguma clarividência, como os seus contestatários que não estejam dominados pelo cinismo brutal do quanto pior melhor. Desprezada pelos Estados Unidos, cujos responsáveis não perdem uma oportunidade de a ridicularizar, com vários países destroçados pela crise económico-financeira, lidando com a emergência de nacionalismos exacerbados, com especial destaque para o alemão, com aventureiros políticos em lugares de destaque, dominada por grupos económicos sem escrúpulos, é uma verdadeira desilusão, muitas vezes até uma autêntica tortura, para os seus cidadãos.

Teoricamente no lado oposto, está um país que geograficamente fica na Europa, mas é tratado por muita gente como se fosse asiático, usando o termo asiático com aquele sentido depreciativo que lhe dão os que ainda julgam a Europa o centro do mundo. A Rússia sente-se cercada, e com razão. Não é preciso ser geógrafo, nem grande analista política, para perceber que continua a ser, 25 anos depois do fim da URSS,  para os Estados Unidos, a NATO e aliados, o inimigo principal. Basta recordar as declarações de Mitt Romney, adversário de Obama nas últimas eleições presidenciais norte-americanas, sobre o inimigo geopolítico principal. Há a gabar-lhe pelo menos a sinceridade. Por muito deplorável que seja Putin, e pior o seu estilo, é preciso ter isto em conta. Os grupos económicos acham que a Rússia e a Sibéria são o Far-West e a Califórnia do futuro. Mais promissores que o Médio Oriente e a América do Sul. E a Ucrânia está no caminho. É justíssima a vontade dos ucranianos de se emanciparem de Moscovo. Mas não podem esquecer estes factos, sem estarem a hipotecar o seu futuro.

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