MA BOHÈME, de ARTHUR RIMBAUD – tradução de João Machado

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Ma Bohême, de Arthur Rimbaud

 

Je m’en  allais, les poings dans mes poches crevées,

Mon paletot aussi devenait idéal.

J’allais sous le ciel, Muse, et j’étais ton féal :

Oh là là, que d’amours splendides  j’ai  rêvées !

 

Mon unique culotte avait un large trou.

Petit-Poucet rêveur, j’égrenais dans ma course

Des rimes. Mon auberge était à la Grande-Ourse.

Mes étoiles au ciel avaient un doux frou-frou.

 

Et je les écoutais, assis au bord des routes,

Ces bons soirs de septembre où je sentais des gouttes

De rosée à mon front, comme un vin de vigueur ;

 

Où, rimant au milieu des ombres fantastiques,

Comme des lyres, je tirais les élastiques

De mes souliers blessés, un pied contre mon cœur !

 

 

A Minha Boémia, por Arthur Rimbaud

 

 

Ia eu, as mãos soltas nos bolsos rotos

O meu casaco, era preciso imaginá-lo.

Sob o céu, Musa, era teu vassalo:

Amores esplêndidos em sonhos remotos!

 

As minhas calças com um grande buraco.

Pequeno Polegar, no caminho trauteava

Rimas mais rimas. Na Ursa Maior habitava

As estrelas sussurravam no céu opaco.

 

Escutava-as, sentado na beira do caminho,

As noites de Setembro em que como vinho

Sentia o orvalho na fronte, a revigorar-me

 

Rimando por entre vultos fantásticos

Em vez de  liras, puxava os elásticos

Aos sapatos velhos, o coração pisado!

Tradução de João Machado

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