EDITORIAL – Imagine

Imagem2Imagine que havia um clube de futebol com poder para, no decurso de cada jogo, alterar as regras – por exemplo, eliminando a lei do fora de jogo sempre que isso lhe conviesse e determinando que um defesa da equipa contrária, se espirrar dentro da pequena área, dá lugar à marcação de um penalty. Claro que não seria justo, mas quem se preocupa com a justiça no mundo do futebol – justiça é o nosso clube ganhar!

E no mundo da política?

Imagine que, beneficiando dos erros sucessivos de um dado governo, das mentiras em que o primeiro-ministro foi apanhado, das negociatas em que alguns dos seus amigos foram surpreendidos, da hostilidade que o presidente da República lhe manifestou (e, também, de um cerco que parte da comunicação social lhe fez), imagine que um grupo de rapazes e raparigas, sem currículos credíveis, ostentando diplomas de pacotilha, mas protegidos pelos poderes reinantes, atingem o poder. Imagine que desatam a mudar as leis de modo a que elas não atrapalhem as medidas que interessam a quem lhes paga, os protege e neles manda…

A Constituição deveria ser um documento blindado e inacessível a mudanças que não fossem referendadas após ampla discussão pública. Com os três poderes da República tomados por herdeiros do regime fascista, por crápulas e imbecis, com uma oposição que, de uma forma ou de outra, colabora na farsa, não necessitamos de muita imaginação para vaticinar que a nossa democracia, que vai completar quarenta anos, não será uma madura e bela  balzaquiana, mas uma podre e cadavérica kafkiana. Lennon, meu velho, nem tu sabes como nos é fácil imaginar que o paraíso não existe!

4 Comments

  1. Bem, sobre futebol não ma atrevo a vaticinar, até porque nunca entendi a regra do “fora de jogo”… 22 maduros em calções mais uns quantos árbritos a adicionar, todos atrás duma bolinha saltinte, sempre dentro de uma área definida por quatro longas linha… Fora de jogo é quando um deles sai para ir fazer xi-xi? lol
    Já na política, vivêramos nós em democracia, e sim, poderíamos mudar as regras, mas não queremos! lol

  2. Só posso ficar satisfeito por ver que a “Viagem” já coloca os chamados opositores de São Bento em sustentáculos verdadeiros do situacionismo actual. Denunciar a burla dos chamados opositores parlamentaristas parece-me ser uma actividade muito saudável.CLV

  3. Ora bem! assim que falar… Mas ser que chega pra dar a imprescindvel volta de 180 graus a um sistma blindado como este que at tem no “banco” o suplente serviente,pronto a defende-lo quando necessrio-que para isso lhe paga e lhe permite certas mordomias para que garanta que tudo fica vontade do dono da quinta?.. Por isso falar no barco sem o ter -.bem aparelhado, equipado de tripulao com propsito e rota definida – menos que uma simples manifestao de um desejo de algo que no se tem nem se ter… A no ser que se aregassem as mangas e se cuspa nas mos para melhor agarrar no cabo da enxada e se dispor a cavar a terra que est a pedir semente enquanto as alfaias se enferrujam expostas intemprie e sem uso adequado…o sol de vero de aproxima, a sementeira se atrasa e a fome espreita …

    heitor

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