“Dentro dos meus olhos” – poema de Adão Cruz

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Dentro dos meus olhos uma tela azul enorme grande como a luz dos teus olhos onde meti todo o céu que pude

Um mar imenso de mil cores mil jardins de flores à minha escolha ao critério dos meus dedos ao sabor dos meus segredos e dos medos de não ser capaz

Azul e mais azul de amarelo fustigado um rasgo genial de vermelho um reflexo de sol e de céu

Mas tu não gostas de poetas mortos nada te dizem as cores da minha mão se tento escrever-te numa tela ou pintar teu rosto na letra de um verso

Não gostas de poemas nem queres puxar os cordéis das minhas pernas em sentido de fuga

Não deixas abrir as janelas do vagaroso comboio carregando ruas estreitas e novas lojas de palavras velhas

Nas estreitas ruas das minhas mãos há longuíssimas raízes que te prendem a um labirinto de espelhos

Grande como o céu não sei pintar-te assim

Vou recriar-te dentro de mim numa fusão de quadros brancos sem passado sem palavras sem fundo e sem fim

 

Ilustração – Quadro de Adão Cruz

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