Dia 27 de Março – edição especial inteiramente dedicada ao teatro
Te-Atrito é um grupo de Teatro que assume o papel essencial dos actores nas opções estéticas e na construção das personagens que, por sua vez, vão definindo ensaisticamente a estrutura dramática das cenas. A liberdade criativa dos intérpretes na experimentação colectiva de ideias e textos e a simplificação dos figurinos, cenários e adereços permitem reforçar este propósito de centrar a acção no actor.
Criado em Outubro de 2005, é formado por quatro teatro-amadores com experiências e modos de trabalhar diversificados. Actores, encenadores, dramaturgos, figurinistas. Porque estarmos todos e de todas as formas envolvidos no processo criativo não é apenas a sublimação conceptual do teatro pobre. É o teatro possível na liberdade que hoje é possível, com o que isso pode custar.
Em parceria com a Direcção Regional de Educação do Algarve, e com o apoio do IPJ-Faro e ARC Músicos, têm desenvolvido o projecto “O teatro vai à escola”, dirigido aos alunos do 2º e 3º ciclos do ensino básico. Este projecto pretende, por um lado, promover desde cedo o contacto com o teatro com vista à formação de públicos, e por outro lado, contribuir para uma reflexão sobre o próprio teatro e as mensagens dos textos representados.
No final dos espectáculos houve sempre uma conversa/debate com os alunos, professores e demais público quer sobre a “forma”, ou seja, sobre o teatro e a construção do espectáculo, quer sobre o conteúdo, ou seja sobre os diversos temas que são abordados.
A peça Barafunda, é recheada de crítica social, tem como base “O Doido e a Morte”, de Raúl Brandão.
João de Brito, o encenador considera que “algumas palavras são quase centenárias, mas as ‘linhas de força’ do texto são de uma actualidade desconcertante” e sublinha que o conteúdo resgatado nas palavras de Raúl Brandão questiona a importância da existência humana e retrata uma ideologia anarca e utópica em busca de um objectivo.
Outros dos temas são a emancipação da mulher, a crítica à influência do capitalismo no quotidiano, bem como a importância da arte na vida humana e a prática supérflua da religião.
É interpretada por André Canário, Laura Pereira e Pedro Monteiro.