CARTA DE VENEZA – 78 – por Sílvio Casro

veneza

A morte de Liccata, um dos maiores pintores italianos contemporâneos

             Com a morte de Ricardo Liccata, ocorrida no dia 19 de fevereiro passado, o ambiente artístico veneziano perde um dos seus maiores nomes. Ainda que nascido em Turim, aos 20 de dezembro de 1929, desde 1946 passa a viver em Venezes, aonde frequenta inicialmente o Liceu Artístico e em seguida a Acdemia de Belas Artes, sob a direta orientação do mestre Bruno Saetti.

             Nos anos imediatamente posteriores à II Guerra Mundial, Veneza é uma cidade de grandes atividades artísticas. Um dos incentivadores maiores de tal movimento é o crítico Giuseppe Marchiori, aquele mesmo que, com grande gentileza, me informará com a costumeira sabedoria sobre o movimento artístico itlaliano do início dos anos 60, aqueles mesmos que abrem para mim as perspectivas de 50 anos vividos de experiências gerais.

             Já na Bienal de 1948, Marchiori espone o grupo do Fronte Nuovo delle Arti, isto em contraposição aos artistas da nova abstração, entre os quais pontificam Vedova e Santomaso. Mas, neste mesmo período, um rerceiro movimeito, o da pintura realista, de Guttuzo e Pizzinato, movimenta o cenário das artes.

             Licata adere imediatamente ao grupo abstrato, estreaiando na Bienal de 1952, na qual depois terá um grande número de presenças.

Em 1956 vive episódios de grandes significados para o

seu futuro artístico. Tendo recebido um prêmio na Exposição coletiva anual da Fundação Bevilaque La Masa, órgão de agregação dos jovens artistias operantes em Veneza, Licata conosce um dos futuristas históricos, Gino Severini, que, logo depois o convida para ser o seu assistente na escola de mosáico que conduz em Paris. Daqui começa definitivamente a carreira do artista Licata. Depois da morte de Severini, a escola de mosáico vem incorporada à Ecole des Beaux Arts parisiense,, na qual o artista veneziano ensinará por largo período.

             Sendo um professor da técnica do mosaíco, Ricardo Licata não se limita a uma tão alta posição. Cedo começam as suas pesquisas por uma nova linguagem pictórico. Nos anos 60 desenvolve e define aquela que será a sua linguagem artística mais típica, uma espécie de alfabelo, composto de símbolos e traços gráficos, derivados d linguagem musical.  Cria, então, uma pintura caligráfica, formada por um como sistema de letras-signos que atingem uma dimensão de alta criatividade. Da pintura dos signos, nascidos do processo da escrsitura musical, o pintor veneziano provocará o surgimento de obras informais, fortes de grande comunicabilidade estética. Neste momento, contemplo com particular comoção os três pezzi do alfabeto licattiano expostos numa das paredes de minha casa veneziana, e deles recolho uma grande lição artística, capaz de comunicar-ti uma particular comoção que vai muito além do simples produto decorativo.

             Todas essas atividades de Licata encontram uma posterior operatividade no setor da gravura. A partir de determinado momento de sua intensa vida, o artista veneziano se dedica ao ensino da arte gráfica, produzindo um série  variada e procurando sempre mais elementos fprmais para dar renovadas manifestações de seus signos alfabético.

             Esta atividade, Ricardo Licata a realiza em cooperação com o Atelier Aperto, junto ao grupo de Veneza Viva.

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