EDITORIAL – O BOM, O MAU E O VILÃO

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Desde os primórdios da política que se tem procurado ajudar a resolver os conflitos a favor de um dos lados tentando convencer as pessoas, o público em geral, de  que o(s) outro(s) lado(s) não presta(m), é(são) muito mau(s), enquanto  que o nosso lado(?) é um repositório de virtudes. Isto é cada vez mais frequente, se assim se pode dizer, e a questão da Ucrânia vem reforçar esta ideia. Claro que as coisas nem sempre correm como se pretende. A maior parte das vezes tem de se reconhecer que é difícil afirmar de maneira séria que beltrano é mesmo bom, enquanto que cicrano, eventualmente o seu contrário, não presta. Não raro acaba por se provar que são muito parecidos.

Na Ucrânia, querem-nos convencer que os bons estão do lado de cá (claro que falamos do ponto de vista geográfico), do lado dos Estados Unidos, da NATO, da Alemanha, da União Europeia, etc. Do outro lado, possivelmente, passa-se qualquer coisa idêntica, só que em sentido diametralmente oposto. Vão ao link abaixo, para verem um exemplo:

 http://redecastorphoto.blogspot.pt/2014/03/pepe-escobar-crimeia-vista-de-pequim.html?utm_source=feedburner&utm_medium=email&utm_campaign=Feed:+redecastorphoto+(redecastorphoto)

A análise feita neste trabalho de Pepe Escobar está também, sem dúvida,  eivada de maniqueísmo. Putin não é nenhum santo, e a China tem muitos problemas. Mas requere desmascarar os objectivos da actuação dos Estados Unidos e da União Europeia (da Alemanha e dos seus associados, nome eufemístico, para não lhes chamar satélites). O grande  objectivo destes últimos é arranjar um inimigo exterior, que lhes possibilite distrair os cidadãos sob a sua alçada dos problemas que os afectam directamente, e conduzi-los para uma luta, possivelmente a longo prazo, que os distraia das questões do desemprego, da precariedade e da pobreza em geral, que é claramente a grande ameaça, para não dizer a grande realidade, em grande escala, dos próximos tempos.

Durão Barroso, Angela Merkel, e sobretudo Barack Obama, para nos mantermos fiéis a analogias com o universo de Sergio Leone, são alguns dos grandes candidatos ao papel de vilão. Vladimir Putin está demasiado identificado com o papel de mau, pelo menos deste lado da barricada (antigamente era a Cortina de Ferro).  Para além da Ucrânia, a Venezuela, a Coreia, a Palestina, esta com os horríveis dramas humanos que ali se desenrolam perante a nossa impotência (e indiferença de muitos), serão também candidatas a fazerem de Far West nos difíceis tempos em que vamos vivendo.

É contra isto que os povos, de todas as nações, se devem levantar. Na Primavera, e em todas as estações.

1 Comment

  1. Bem, já que estamos com fun-funs e gaitinhas sobre autodeterminação, eu, que sou alentejana, venho aqui proclamar, em nome da autodeterminação do povo alentejano, a contituição da República Independente do Alentejo (RIA), que se constituirá num Estado departidarizado e livre, bem como num paraíso fiscal por forma a atrair dinheiro e investimento, o que constituirá a principal actividade económica do novo país.
    A moeda será o DA (dolar alentejano, indexada ao próprio… lol).
    Todos os assunto de interesse público, serão alvo de referendo que consistirá numa única pergunta, de resposta sim/não. As eleições serão feitas por sufrágio directo e universal e os candidatos a qualquer cargo público terão de se apresentar individualmente.
    E esta, heim?
    ahahahahahahaha

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