J. TAVARES DE MELO
( 1954 )
MIRAGEM
A tarde é de cinza e oiro
na inquietude das paisagens.
E o alucinado ritmo das miragens
é a exaltação inquieta deste agoiro:
o trapo de barro e giz
que de mim fiz.
E da vida nunca nada veio!
Amando tudo, tudo odeio.
E ainda que exausto, fujo
num grito impuro e sujo
à procura de um deus nunca
profanado!
(da antologia “Os nove rumores do mar”)
Poeta incluído na “Antologia Poética dos Açores” (II vol., 1982) e “Os nove rumores do mar – Antologia da Poesia Açoriana Contemporânea” (1996). Obra poética: “Do meu Voo a Latitude” (1979), “Ritual Translúcido” (1984), “Alcatruz da Nora” (1989), “Mão Inquieta” (1991), “Feitiço” (1995).

