EDITORIAL – QUE PAÍS É ESTE QUE ACEITA A SUA SITUAÇÃO?

Vivemos num país onde as 25 maiores fortunas portuguesas foram logo editorialvalorizadas em 16% ao longo do último ano. Vivemos num país onde apenas 12% dos portugueses pagam as contas sem dificuldades. e onde os cidadãos “se sentem sob maior pressão e é “muito difícil” viver com o rendimento que têm. Vivemos num país em que 6 em cada 10 desempregados não recebem qualquer tipo de apoios. Vivemos num país da Europa em que o IVA é o mais caro (23%) e o salário base o mais baixo (397 euros).

Vivemos num país que é um dos países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico em que os apoios do Estado são menores para as famílias mais pobres, contrariando as tendências da maior parte dos países da OCDE. Daí que aconselhem os governantes a analisar com muito cuidado a maneira como gastam o dinheiro nos apoios sociais.

Vivemos num país que é o segundo país da UE com mais emigrantes em percentagem da população e um dos com menos imigrantes, o que cria uma alarmante situação demográfica, mais grave do que a dos anos 60.

Vivemos num país onde um empresário afirma que os trabalhadores portugueses produzem um terço dos trabalhadores alemães, acusando-os da baixa produtividade da economia portuguesa, sabendo perfeitamente que assim não é.

 Vivemos num país onde um jovem de 16 anos, acusado de não ter pago uma piza de 35 euros vai a julgamento, onde um sem abrigo terá que pagar 350 euros por ter saído sem pagar, de um  supermercado Pingo Doce com um shampoo, que o tribunal considerou não ser um bem “satisfazer necessidades imediatas”. E onde, por outro lado, a Relação de Lisboa decidiu anular a sentença imposta pelo Tribunal da Concorrência, Regulação e Supervisão a Armando Vara (vice-presidente da CGD de 2006 a 2007 que autorizou movimentações financeiras obscuras) de pagamento de uma coima de 50 mil euros.

Vivemos num país onde doentes que vivem longe dos centros de transplantação de órgãos        chegam a rejeitar a hipótese de receberem um rim, tendo em conta a necessidade das consultas pós-transplantação, várias vezes por semana. Vivemos num país onde uma mãe tem que percorrer 10 quilómetros a pé, a empurrar a cadeira de rodas da filha deficiente para a levar ao médico (Vaqueiros, Santarém) porque a extensão de saúde foi encerrada em Setembro de 2013 e precisa de se deslocar ao centro de saúde e a farmácia mais próximos.

Vivemos num país onde uma mulher vítima de violência doméstica acaba detida por ser imigrante ilegal, vendo os seus filhos serem entregues ao cuidado da Comissão de Protecção de Crianças e Jovens.

Pensemos na frase de Edward R.Murrow “Uma geração de ovelhas gera um governo de lobos”. Que país é este que aceita isto tudo?

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