Tudo ocorre como num sonho, mas de claras realidades.
Os sonhos criam signos que aparecem e desaparecem como o agir de uma sintaxe – narração fugaz – que, mais além do formal, se estrutura no sentido da lógica absoluta, resultante da própria síntese visiva. Mas são formas visivas que estabelecem um diálogo não com o receptor, mas entre elas. O receptor é quase somente um espectador autoconvidado e que luta para não ficar fora do discurso que desafia a sua pessoal lógica formal. Os signos visivos oníricos são elementos que se esclarecem e se obscuram em movimentos simultâneos e no definitivo desafio ao espectador não convidado. A este resta somente a força de atenção indormida que está por detrás do sono que teima em distanciá-lo definitivamente dos signos e de suas correspondentes alógicas revelações. No final o conto é a quase desesperada experiência do espectador indormido, qual o nadador sem perícia que escapa ao afogamento.
A festa na casa de um amigo Descida na rua
Caminhando nas ruas ? de onde ? onde
Na volta subir a escada subindo a escada para a festa nesta casa do amigo ? Que casa
As ruas estas ruas esta rua onde a prostituta jovem ou não se chega e me pergunta e me propõe e me procura Procuro a casa do amigo ? onde está a casa A prostituta não sabe
O bar está no alto da rua e a paisagem vista daqui do alto me leva com a prostituta para longe da casa de meu amigo No bar deixo de ver a prostitua e vejo a camareira que sai de uma sala diante de mim e os seus seios expostos são grandes seios A camareira pega seus grandes seios e os apresenta rindo rindo com alegre distração ao garçom que os beija
Saio para pagar 8.000 e depois 1.200 e desço pela saída que me leva ? para onde
Saio caminho tropeço numa caixa de ferro Caminho Virando a esquina vem correndo para mim pela rua pelas ruas a enchente Volto rua adiante outras casas e as gentes A enchente cobre tudo e se aproxima e eu não posso passar para o outro lado da rua A gente que passa tranquila me olha