CANTIGA DA GARVAIA – DE AMOR OU DE ESCÁRNIO?

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            No mundo nom me sei parelha

mentre me for como me vai:

ca já morro por vós e, ai!

mia senhor, branca e vermelha

queredes que vos retraia?

quando vos eu vi em saia, 

mao dia me levantei,

que vos entom nom vi fea,

 

            E, mia senhor, dês aquela,

me foi a mi mui mal, ai!

e vos filha de dom Pai

Moniz, e bem vos semelha

d’aver eu por vós garvaia!

pois eu, mia senhor, d’alfaia

nunca de vós ouve, nem ei,

valia d~ua correia

 

Esta cantiga da fase inicial da poesia galego-portuguesa, durante muito tempo, foi tida como uma canção de amor. Interpretações mais recentes classificaram-na entre as cantigas de escárnio. A autoria chegou a ser atribuída a Pai Soares de Taveirós. Fernando Peixoto da Fonseca, em Cantigas de Escárnio e Maldizer dos Trovadores Galego-Portugueses, 1961, da Livraria Clássica Editora, citando Elza Pacheco e José Pedro Machado, que prepararam a edição do CBN – Cancioneiro da Biblioteca Nacional pela Revista de Portugal, levanta a hipótese de o autor ter sido, talvez,  Martim Soares.

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