“Celebrando Agostinho da Silva” – 4 – por Álvaro José Ferreira

Nota prévia:

Para ouvir os poemas e outros textos de Agostinho da Silva, bem como as “Conversas Vadias”,Imagem1

há que aceder à página http://nossaradio.blogspot.com/2014/04/celebrando-agostinho-da-silva.html

e clicar nos respectivos “play áudio/vídeo”.

Teria passado a vida

Poema de Agostinho da Silva (in “Uns Poemas de Agostinho”, Lisboa: Ulmeiro, 1989 – pág. 123)Dito por José-António Moreira (in “Sons da Escrita” N.º 298, 01-Out-2010)

Teria passado a vida

atormentado e sozinho

se os sonhos me não viessem

mostrar qual é o caminho

umas vezes são de noite

outras em pleno de sol

com relâmpagos saltados

ou vagar de caracol

quem os manda não sei eu

se o nada que é tudo à vida

ou se eu os finjo a mim mesmo

para ser sem que decida.

Três votos fará aquele

Poema de Agostinho da Silva (in “Uns Poemas de Agostinho”, Lisboa: Ulmeiro, 1989 – pág. 124) Dito por José-António Moreira (in “Sons da Escrita” N.º 298, 01-Out-2010)

Três votos fará aquele

que não ser tolo decida

e venha deles primeiro

o de obediência à vida

será o segundo a vir

o de não querer ser rico

o muito passe de largo

o pouco lhe apure o bico

não violar-se a si próprio

como principal o veja

alto ou baixo gordo ou magro

assim nasceu assim seja.

Tudo pode vir do nada

Poema de Agostinho da Silva (in “Uns Poemas de Agostinho”, Lisboa: Ulmeiro, 1989 – pág. 125)Dito por José-António Moreira (in “Sons da Escrita” N.º 298, 01-Out-2010)

Tudo pode vir do nada

várias tintas várias telas

esta vida em que vivemos

é apenas uma delas

mil outras no mesmo espaço

mil outras em hora igual

rivalizam no sonhar

o que pensamos real

e podemos ir além

neste quadro que vos traço

tempo é tempo imaginado

em que se limita o espaço.

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