POESIA AO AMANHECER – 421 – por Manuel Simões

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CARLOS NOGUEIRA FINO

  ( 1950)

            CONTEMPLAÇÃO DO OLHAR 7

            sabemos este ofício de voltar às águas

            mas não o de esvair os olhos de silêncios

            sabemos como abrir os poros

            e dissolver as vértebras

            mas não como encurtar uma distância tão íntima nos dedos

            como a curva de um longo adeus imponderável

            sabemos este cais

            onde assentamos as árvores despidas

            uma a uma

            para que a íntima luz das ondas as penetre

            como a raiz fugaz do inacessível

            sabemos este ofício de ficar à tona

            do fundo do que somos

(de “Contemplação do Olhar”)

Poeta e ensaísta. Incluído em várias antologias, entre as quais “Ilha 4” (1994). Obra poética: “XXIII Poemas de Ilhamar” (1986), “Simbiose” (1988), “Contemplação do Olhar” (1992), “(Pre)meditação” (1992), “Segundo Livro de Ishtar” (1994), “Arco e Promontório” (1997), “Inquietação da Água” (1998), “Maratona e outros poemas” (1999), “O Deus Familiar” (2001).

 

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