Selecção e tradução de Júlio Marques Mota
6. Putin mete-me medo ….
É tempo de dizer a verdade sobre ‘ o abominável novo Czar do Kremlin
Revista Le Causeur
26 de Março de 2014
É já tempo de denunciar alto e bom som Vladimir Poutine. Primeiro sobre o plano económico. Afinal, que fez ele desde há 15 anos, concretamente? O poder de compra dos Russos: duplicou. A inflação: passado de 100% a quase nada. A balança comercia: largamente recuperada e agora está já excedentária. A taxa de emprego: em muito forte aumento. A dívida pública: passou de 90% do PIB à 0%. A pobreza: dividida por 2. Resumidamente, os números falam por eles mesmos: um malogro lamentável.
Ao nível político: eleições regulares, grandes sucessos eleitorais – bem distante da situação dos nossos aliados na China ou Arábia Saudita. Evidentemente, a sua cota de popularidade nunca desceu abaixo dos 65% de opiniões positivas, e tem subido a 80% actualmente – tudo isto sendo previsível tendo em conta os números económicos catastróficos previamente avançados. De resto, toma-se efectivamente a ideia de que os números evidentemente são falsificados face a Obama que atinge um limite em 40%, a Hollande que têm estado a descer até aos 15% face à taxa de aprovação do Congresso americano que acaba de ter êxito com a proeza de atingir um só uma classificação de um só dígito, com 9% de satisfação dos Americanos.
Mas é ao nível geopolítico que o se pior deve temer. Porque o que é que preconiza Putin? Referendos! Para pedir às pessoas a sua opinião! Não, mas a sério, até quando vamos tolerar isso na Europa?
Tenhamos efectivamente em conta as consequências da nossa cobardia: se deixarmos os referendos desenvolver-se na Europa, com isso acabar-se-á a marcha para “o Progresso Europeu”. Terminar-se-iam os tratados orçamentais. Acabar-se-ia com a austeridade imposta para agradar aos mercados financeiros. Não haveria mais aumento da idade das reformas até aos 69 anos. Ninguém aceitará estar a sujeitar a Grécia a uma sangria para reembolsar os grandes fundos especulativos, os hedge-funds vampiros. Ninguém iria eleger Hermann Van Rompuy Presidente do Praesidium Europeu.
Do mesmo modo, se fizermos um referendo no Reino Unido, é claro que este país deixará rapidamente a União. Como o farão depois muitos outros países se pedirmos o seu parecer aos cidadãos.
E qual o povo que aceitará votar pelo acordo de associação UE/Ucrânia assinado a 21 de Março passado, que põe doravante as empresas europeias em concorrência com o país mais pobre da Europa, onde o salário mínimo é de 100 € por mês? Nenhum povo sensato o aceitaria– receando evidentemente o desemprego. É necessário por conseguinte banir o referendo e deixar Bruxelas decidir.
Mas onde aparece claramente a falsidade do presidente russa, é que, não somente faz votar os habitantes da Crimeia sobre o seu futuro pela primeira vez, mas além disso, enquanto que, essencialmente Russa, a Crimeia pedira logicamente a sua união à Rússia com uma esmagadora maioria, incontestável, ei bem Putin ouve-os e responde ao seu pedido! Imagina isto na Europa? Mas nunca teríamos podido assinar o tratado de Lisboa se tivéssemos aceite o pedido dos Franceses de 2005.
Enquanto que, nesta questão, a solução era tão simples – e tê-la-iamos aplicado certamente se os ministros russos tivessem alimentado manifestações populares pró-russas no Canadá, depois tivessem fomentado um golpe de Estado com neo-nazis que teriam proibido o francês no Quebeque.
Era necessário por conseguinte punir muito fortemente Putin (a punição doravante uma linha central em Democracia ), devolver a Crimeia ao regaço do governo putschista ucraniano não eleito, seguidamente enviar tanques ucranianos mergulhar no sangue o levantamento que não deixaria de se verificar para com um governo que comporta um terço de neo-nazis, russófobos assumidos[1] e apoiado por um Ocidente cínico como nunca terá havido. Lá, pelo menos, num cenário à Jugoslávia, a UE sabe agir: tweets, discursos inflamados, resoluções, condenações, envios de observadores e Bernard-Henri Lévy, seguidamente de investigadores, seguidamente de médicos legistas, apresentação ao Tribunal penal internacional, etc.
Mas em vez de tudo isto, Putin deitou tudo a perder, e o povo da Crimeia festejou na alegria popular a sua união à Rússia. E o povo Kiev manifestou a sua revolta no dia 23 de Março, com uma dimensão fenomenal da manifestação de 5 000 pessoas que mostram efectivamente o carácter totalmente ilegítimo da coisa para os Ucranianos – da mesma maneira que o facto que menos de 20% dos militares ucranianos na Crimeia obedeceram à ordem de regressar ao país…
Tudo isto é desolador, é desesperante é de desesperar este « sonho europeu »… E como nós não sabemos até onde irá Putin, é-nos então necessário equiparmo-nos com muita, muita lucidez. É o que na situação é preciso!
Revista Le Causeur, Poutine me fait peur…
Il est temps de dire la vérité sur «l’abominable nouveau tsar du Kremlin»
[1] Denunciados pelo Knesset ou pelo Congresso Judeu Mundial este desenterrar regular das Waffen-SS com honras militares por exemplo.


