A Liberdade, a cultura, a democracia e a justiça social são as nossas paixões.
Os poderes que regem a nossa República emanam da vontade popular expressa no voto livre em eleições livres e democráticas. Presidente da República, presidente da Assembleia da República e chefe do Executivo governamental, são credores do respeito que a dignidade das suas funções exige. Mas será que eles respeitam essa dignidade?
O Dr. António Vitorino e os demais juízes reformados do Tribunal Constitucional esclarecem que, ao contrário do que se diz e escreve, a Presidente da AR não se reformou por qualquer incapacidade, mas apenas por ter direito à reforma após 12 anos de serviço no TC (não esquecendo que já tinha sido professora universitária e deputada, o que não vem para o caso da reforma, mas não se perde em esclarecer). O Dr. António Vitorino e os demais juízes reformados do Tribunal Constitucional, reformados ao abrigo de uma lei que se mantém em vigor, declaram que a Presidente da AR só tem culpa numa coisa: estar a aturar piras e hordas quando, pelo mesmo dinheiro, podia estar sossegadinha em casa a ganhar o mesmo. Está a prestar um serviço ao país sem qualquer compensação suplementar. O Dr. António Vitorino e os demais juízes reformados do TC só têm a dizer que não têm paciência para pessoas mal agradecidas. Por isso, nunca estariam no lugar da Presidente da AR. Consultorias e comentários dão muito mais dinheiro e causam muito menos ruído na opinião pública.
É um comentário, de origem confusa. Porém, vamos responder sem levar em conta se o remetente é, de facto, o Dr. António Vitorino, em nome dos juízes reformados do TC, ou de alguém que lhe usurpou a identidade. Agradecemos o esclarecimento e comprovada a sua veracidade, no espaço onde foi aventada a informação eventualmente errada apresentaremos a rectificação,
Somos de facto pessoas mal agradecidas. Começamos por não agradecer ao Dr, António Vitorino (ou ao usurpador do seu nome) e aos demais juízes reformados do TC, a segunda parte do comentário. A nossa ingratidão não é de agora – nunca agradecemos ao Professor Salazar o ter deixado Coimbra. Podia lá ter ficado muito sossegadinho dando as suas aulas, mas sacrificou-se durante mais de três décadas a querer transformar Portugal numa réplica aumentada da sua aldeia e nós, pessoas mal agradecidas, não manifestámos a nossa gratidão. E, para cúmulo, estamos gratos aos militares que nos libertaram de uma ditadura e que deviam ter ficado sossegadinhos. E queríamos que eles pudessem falar num parlamento a que devolveram a dignidade. Esquecemo-nos de que, ao permitirmos que as supremas magistraturas da Nação fossem assumidas por pessoas como a Drª. Assunção Esteves, sancionámos uma lógica em que a democracia é substituída por uma oligarquia em que alguns ficam sossegadinhos a tratar das suas vidas e vendo crescer as contas bancárias e outros se sacrificam por pessoas mal agradecidas. E depois trocam. Não concordamos? O problema é nosso.