UCRÂNIA: A CAMINHO DE UMA SEGUNDA GUERRA DA CRIMEIA – UM NOVO RISCO DE DEFLAGRAÇÃO NA EUROPA ORIENTAL – por GÉRARD DUSSOUY*

Selecção e tradução de Júlio Marques Mota

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UCRÂNIA : A caminho de uma segunda guerra da Crimeia 

Um novo risco de deflagração na Europa  Oriental

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Gérard DUSSOUY* revista Metamag

 8 de Março de 2014 

 

Um novo risco de deflagração na Europa oriental, eis pois onde nos conduziu a incúria diplomática e estratégica da União europeia e de todos os dirigentes europeus. Todos incapazes de efectuar uma verdadeira reflexão geopolítica. Em vez fazer da Ucrânia “uma ponte” entre a Europa e a Rússia, fizeram dela um pomo de discórdia à custa dos próprios ucranianos.

Não era necessário apresentar a associação da Ucrânia à UE como uma vitória sobre a Rússia, e para ultrapassar na passada os Estados Unidos dando a entender que esta associação era a antecâmara de uma adesão à OTAN! Uma organização que deveria ter sido dissolvida há muito tempo, na sequência da do Pacto de Varsóvia. Pelo contrário, negociando ao mesmo tempo a sua associação com a Ucrânia, era necessário em paralelo construir com Moscovo uma verdadeira parceria.

O impasse geopolítico no qual se encontra este Estado hoje é a consequência de uma falta de compreensão da mudança a nível mundial, a predominância de conceitos ideológicos que se tem tornado obsoletos e de uma incapacidade, de uns e dos outros, em se  ultrapassar os seus etnocentrismos. As percepções mútuas dos Europeus do Oeste e dos Russos permanecem deploráveis.

No estado actual das coisas, uma partição provisória da Ucrânia será talvez a solução para evitar a guerra civil. Pelo menos será necessário que ela aceite, e os Ocidentais com ela, que a Crimeia, que lhe pertence apenas desde a segunda metade do século XX, devido à vontade de Khrouchtchev que era ele mesmo ucraniano, seja desligada dela. De todas as maneiras, os franco-britânicos não têm os meios para efectuar uma guerra na Crimeia como o fizeram em 1853-1856 para, já aí, tentarem retirar Sébastopol aos Russos! Quanto aos Americanos, apesar das gabarolices insolentes do seu presidente, é claro que as suas prioridades geoestratégicas estão noutro lugar que não deste lado do Mar Negro.

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Seria altura de fazer prova de realismo e de ser racional (ainda que isso seja difícil de admitir em política). Seria altura para que o conjunto dos Europeus tome consciência que o seu interesse está em se unirem para enfrentarem juntos os desafios do mundo. Nesta perspectiva, seria inteligente e útil convocar uma conferência pan-europeia sobre o futuro do velho continente, a fim de fazer cair as prevenções e de voltar ao que deveria ser uma projecto colectivo e solidário.

 

*Professeur émérite à l’université de Bordeaux, auteur deContre l’Europe de Bruxelles, fonder un Etat européen“, Editions Tatamis, Blois, 2013.

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